SILENCIAR A COMPULSÃO PELA TECNOLOGIA

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Por alguma razão o metrô havia parado. Suava a bela jovem ao meu lado. Não era o calor; o ar-condicionado ainda seguia em seu afã de soprar. Ansiosa, agarrada a um… espelho? Não, um celular. Grande – friso a desproporção porque não gosto de xeretar a vida dos outros. Ela via a si mesma, numa selfie. Foi aos comentários. Também buscou as “curtidas” da foto. Olhar fixo. “Ei, o trem voltou a andar, não perca a sua estação, OK?” Não parecia que me ouviria. Como outros que vi ao longo daquele dia, na padaria, no restaurante, caminhando pela rua (escapei por pouco daquela topada), cada um publicando algo para que o mundo veja, curta e comente.

Lembro-me de Júlio. O Cortázar e seu conto sobre “o fim do mundo do fim”. Isso acontece toda vez que fico abrumado pela quantidade de informação nas redes sociais, pelo acúmulo de notícias banais, pelas fotos e vídeos sobre tudo, mas principalmente por alguém que se expõe ao mundo. Parece a tal compulsão por buscar algo, um reconhecimento, um prazer, uma curtida, que lhe prestem atenção.

Volto a Júlio. Descreveu o dia em que todos os leitores resolveram ser escribas. Surgiram tantos livros que não mais havia espaço no mundo. Pilhas de livros por todos os lados. Ninguém mais os lia, é verdade, mas todos escreviam. A situação se agravava. Veio o caos – livros foram lançados ao mar. Os escribas se aproximaram de sua extinção. Cortázar narrou esse apocalipse muito antes da internet. Previu o tempo em que todos têm (ou querem ter) algo que dizer, publicar, sobre tudo e sobre nada.
Não soltar a tela, manter-se em comunicação constante em tempo real, sim, pode se transformar em um tipo de idolatria. Pior, em adoração de si mesmo. Também em desejo por algo que nunca leva à satisfação. Exatamente como as cisternas rachadas que cavamos para nós mesmos e que não mais retêm água (Jr 2.13).

Ninguém deve ser ludita que desmereça o potencial para o bem das redes sociais ou de outras tecnologias. Há que entender bem e enfrentar os desafios de cada época e contexto. Uma vez ouvi que o problema dessas modas ou recursos é que eles criam oportunidades que antes não existiam. Assim, se não estou preparado para a “novidade”, então crescem as possibilidades de que minha natureza humana insegura e frágil se agarre de maneira indevida a qualquer nova oportunidade e dela faça mau uso.
Ela, a tal tecnologia, em verdade não é o problema. A responsabilidade é minha – pelo menos sempre deveria ser. Seguramente, também é preciso ser sensível àqueles que sofrem algum tipo de compulsão ligada a esses avanços sedutores e possibilidades infinitas (ou opressoras?) dos gadgets cada vez mais modernos – e caros. Pessoas que precisam de apoio psicoterápico e até mesmo de medicamentos devem ser sempre acolhidas e encorajadas com paciência e sensibilidade.

Também é verdade que muitas outras situações talvez demandem “somente” o desafio de crescer como pessoa madura, em paz consigo mesma e com os demais. Aprender a, como dizia Hans Burki, reduzir, renunciar e simplificar. A redescobrir a beleza e a simplicidade das relações pessoais de carne e osso, dos silêncios cúmplices ao lado de quem a gente ama, sem precisar de qualquer outra tela ou conexão além da sutil e gostosa presença do outro. Desfrutar a paz de se sentir amada por Deus sem precisar fazer algo por isso (Mt 3.17). Esquecer-se ou livrar-se da ilusão de que “Apple” Assíria ou “Android” Egito nos salvarão (Os 14.3; Is 31.1).

Nem precisamos deles. A salvação e o nosso melhor sentido de identidade sempre vêm de Deus. Quer usar melhor o seu celular? Poderia até usá-lo para ler e meditar em algo em sua próxima viagem de ônibus ou metrô. Mas também aprenda a desligá-lo, a silenciá-lo, e a prestar atenção na beleza das vidas que estão ao seu redor. Essa sempre será a melhor conexão.

• Ricardo Wesley Morais Borges é casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo, e serve na equipe regional para a América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE-IFES).

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Comecemos o Ano Novo perdoando e sendo perdoado…..

Quando o amor restaura.

O que é o Perdão?

A palavra grega traduzida como “perdoar“ significa literalmente cancelar ou remir. Significa a liberação ou cancelamento de uma obrigação e foi algumas vezes usada no sentido de perdoar um débito financeiro.

Para entendermos o significado desta palavra dentro do conceito bíblico de perdão, precisamos entender que o pecador é um devedor espiritual. Até Jesus usou esta linguagem figurativa quando ensinou aos discípulos como orar: “e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores“ (Mateus 6:12).

Uma pessoa se torna devedora quando transgride a lei de Deus (1 João 3:4).

Cada pessoa que peca precisa suportar a culpa de sua própria transgressão (Ezequiel 18:4, 20) e o justo castigo do pecado resultante (Romanos 6:23). Ele ocupa a posição de pecador aos olhos de Deus e perde sua comunhão com Deus (Isaías 59:1-2; 1 João 1:5-7).

Como ser perdoado? Se me arrepender agora, o Senhor me perdoa?

SIM! (Jeremias 31:34). Deus está sempre pronto a perdoar e fica feliz ao fazer isso, pois deu o seu Filho unigênito – Jesus Cristo, para isso. (João 3:16)

Leia em sua Bíblia: A parábola do filho pródigo em Lucas 15:11-32.

O que acontece quando recebo o perdão?

Começa a experimentar o amor de Deus (beijos e abraços), vida nova e santa (roupas), autoridade (anel), liberdade para viver (sandálias), muita comunhão (festa), certeza da vida eterna, etc.

O perdão precede cura e a maravilhosa vida de Cristo (João 10:10b).

Mas, é bom lembrar que o perdão não é a remoção das conseqüências temporais de nosso pecado. O homem que assassina outro pode arrepender-se e procurar o perdão, mas ainda assim sofrerá o castigo temporal da lei humana. Mesmo se perdoado, pode ter que passar o resto de sua vida na prisão. O perdão remove as conseqüências eternas do pecado.

O que acontece se recuso o perdão?

Continuo impuro, separado do amor de Deus, sem vida verdadeira, sem autoridade, sem liberdade, escravo do pecado, sem comunhão com Deus, sujeito a enfermidades, tormentos, em horrível expectação de juízo (Hebreus 10:26).

O que preciso fazer para ser perdoado?

1. Precisa reconhecer que é pecador e querer ser perdoado (Lucas 18:13-14). Como Deus vai perdoar alguém que não reconhece que é pecador e quer ser perdoado? É o arrependimento (Atos 2:38). A escritura diz que “sem arrependimento” não há remissão de pecados, pois o arrependimento é o desejo de mudança de vida (Lucas 3:8, Atos 26:20).

2. Confessar os pecados (Mateus 3:6). Quando reconhecemos a culpa e confessamos, recebemos o perdão como o Rei Davi recebeu (Salmos 32:5) e como João ensinou (1João 1:9).

3. Deixar os pecados (Provérbios 28:13). Se quisermos ser perdoados, além de confessar devemos ter o propósito de não mais pecar (João 8:11).

4. Um outro requisito muito importante é perdoar. A quem? A TODOS QUE NOS OFENDERAM, inclusive a nós mesmos. O perdão que recebemos só permanece se perdoarmos os que nos ofenderam (Mateus 6:14-15), lembrando que Cristo nos perdoou (Efésios 4:32). Leia também Mateus 18:21-35.

Finalmente devemos pedir perdão e perdoar em nome de Jesus. Porque? Porque o pecado é um débito que nós não podemos pagar, mas Jesus pagou na cruz por nós.

O crédito pertence a Ele e só Ele pode nos dar este crédito. N’Ele, Deus o Pai, pode nos perdoar completamente, mantendo sua justiça (Mateus 1:21; 1 João 2:12).

No passado, quando alguém pecava, levava um cordeiro sem defeito ao sacerdote, impunha as mãos sobre ele, confessava o pecado e o matava, derramando o sangue no altar. Saía feliz por haver pago o pecado através do derramamento de sangue justo. Mas isso era apenas uma figura, pois sangue de animais não pode remir o ser humano.

Mas Jesus, sendo Deus, se fez humano e como o cordeiro do passado derramou seu sangue justo e levou sobre si no madeiro, todos os nossos pecados (Isaías 53:4-5).

Que oportunidade maravilhosa Deus nos dá. Não é necessário tentar entender este grande mistério, mas crer que Deus fará o que prometeu àquele que receber pela fé o sacrifício de seu Filho Jesus. Por este e muitos outros motivos devemos refletir sobre o nosso ano que termina e como deveremos caminhar neste novo ANO QUE COMEÇA. Paz e bem

Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos em Sydney, Opera House tem lugar para 2.700 pessoas. Este blog foi visto por cerca de 8.600 vezes em Se fosse um show na Opera House, levaria cerca de 3 shows lotados para que muitas pessoas pudessem vê-lo.

Clique aqui para ver o relatório completo

Quando e onde fui ” NATAL ” ???

O povo de Deus é povo missionário.

“A manjedoura, a cruz e o túmulo são caminhos, por onde a decisão pelo próximo se torna numa condição fundamental para nossa humanidade.”

O natal se tornou em mais uma data comemorativa, uma praxe cultural típica do denonimado mundo ocidental e difundido, em outros povos e nações. Ainda assim, percebe – se lampejos do nascimento do menino Jesus e a mantença de todo um repertório de ritualismos. A árvore, o papai Noel, as renas, o panetone e uma sensação de interromper marcam o mês de dezembro.

Sem sombra dúvida, o nascimento de Jesus, evidentemente, de maneira alguma ocorreu, em 25 de dezembro. Por ora, ater – me – ei ao chamado da narrativa bíblica e, desde já, isento de bitolagens do legalismo e extremismo religioso e suas amordaças. Grosso modo, o espertar da vinda do salvador apresentou, de imediato, um irromper, com todas as conveniências e formalismos da tradição da qual Jose e Maria estavam. Afinal de contas, como justificar uma gestação sobre o argumento da ausência do encontro do óvulo e esperma?

Não por menos, as suspeitas alderedor dessa situação, indiscutivelmente, trouxe uma carga significativa. Mesmo assim, a salvação iniciou – se na vulnerabilidade de um presépio, de uma manjedoura, com personalidades frágeis, diante de todas as intercorrências de ordem política e social.

Agora, o natal me chama para uma retrospectiva de quais foram as minhas decisões, durante o desdobrar dos doze capítulos dessa história vida. Para muitos, tudo se resumirá ao amigo secreto, a encontrar a família, a se desligar das turbulências do cotidiano e para outros não passa de um momento de vazio e de perda de sentido, a ouvir um feliz natal e um ano novo (cheio de paz, de alegria e prosperidade). Ora, evito um discurso de dissabores, mas o natal, o nascimento de Cristo, nos chama para uma releitura da realidade, do próximo, de nós mesmos e da vida.

Sinceramente, encontro – me numa saudável e irrevogável crise do por qual motivo não trilho por essa proposta de ir ao próximo, em todos os períodos do ano?
Deveras, o cotidiano peculiar de um cenário metropolitano e suas demandas nos suga e não posso fechar os olhos para isso; entretanto, como cristão, sou levado a me questionar:

– Por qual motivo não reconheci as pessoas, ao meu lado?

– Estranho – me, porque nem sequer consegui arriscar e ir as pessoas, em dias normais, para presenteá-las, numa prática e num ato de ir à contramão das regras do jogo das conveniências?

Eis o chamado para um evangelho de práticas e atos efetivos, um serviço pragmático e concreto, a qual começa no seio da comunhão, na decisão por remover de nossas costas os alforjes do meu direito, da minha benção, da minha conquista, da minha resposta e, enfim, de uma fé submergida a preencher uma vontade interesseira e individualista.

Sinceramente, envergonho – me, em função de conceber o nascimento de Cristo a um acontecimento histórico e atrelado a ser relembrado, numa determinada época, quando, opostamente, deveria aceitar o convite, entrar no barco da esperança, do amor, da justiça, da misericórdia e das utopias da Graça para não querer, mas sim decidir por ouvir mais e falar menos, priorizar mais pelos acertos e menos apontar as causas e efeitos das quedas do próximo, por ser sal e luz nas pauliceias desvairadas, por sair dos vitrais de uma espiritualidade abstrata e descompromissada.

Nesse momento, lanço mais uma pergunta:

– Mais um natal?

Mais um natal que abrirei a bíblia, em Isaías e Mateus, externarei um feliz natal e pronto?

Peço desculpas, por essas palavras, entretanto se faz necessário ir a direção do natal, desse chamado por reconhecer as pessoas e resistir pela vida, principalmente, quando nos deparamos com um contexto de pessoas deslocadas, de faces que não se olham, de ecos que não se ouvem, de gestos que não se reconciliam, de ombros que não suportam, de palavras que não absolvem e deixam marcas de condenação e culpa nas linhas e entrelinhas do semelhante.  Paz e bem

O menino nasceu para vencer a morte…

Nunca desista de sua Familia.

“… O anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35).

“Porque atentou na insignificância de sua serva;/Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,/Porque me fez grandes coisas o Poderoso;/ E santo é seu nome./E a sua misericórdia é de geração em geração /Sobre os que o temem. /Com o seu braço agiu valorosamente;/ Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. /Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes./Encheu de bens os famintos, /E despediu vazios os ricos./Auxiliou a Israel seu servo,/ Recordando-se da sua misericórdia; /Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre”.1

Por isso, a festa da Natalidade do Senhor deveria invadir o cotidiano da Igreja, dos homens e das mulheres: O Menino que nasce traz a palavra final de Salvação! Podemos falar da vida que vence a morte. E que a justiça de Deus prevalecerá, será extirpada a injustiça e a violência sobre a face terra. Um novo nascimento para a vida é aguardado, Deus não desistiu, e continua atuando contra o cinismo, aliado da morte de tantos. É assim que Christoph Blumhardt (citando J.Moltmann) fala do renascimento da esperança, mais que nunca, válida na Natalidade do Senhor: “somos gente que protesta contra a morte”, no Natal e em todos os tempos.

Os antigos falavam dos bens da vida, de outra totalidade, na igualdade de direitos para homens e mulheres, no gozo de bem-aventuranças, na via contrária onde a violência transita, na contramão da história da humanidade. Quando um projeto adversário do próprio homem, contra Deus, já se fazia conhecer. O gesto primordial que caracterizou o ser inteligente, solidário, cooperativo, era substituído pela ambição do “homo demens”, oposto à linguagem libertária, corruptora da socialidade, da defesa dos interesses coletivos, enquanto convidava à violência, à dominação e à ganância. Harvey Cox nos lembra, então: “… que a serpente não decida por nós”.

Em Jesus se resgatam as utopias, os grandes valores da vida dos povos, das terras, do universo inteiro, que gemem sob a dor da opressão (Lc 4.16ss). Aos cegos, enfermos, cativos, aprisionados e escravos das ideologias totalitárias, de privilégios, estampam-se os valores da solidariedade, da cooperação, da partilha igualitária, da misericórdia, da compaixão e do cuidado. Herança dos pais abraâmicos e proféticos, segundo as Escrituras, muito depois do grande salto pré-histórico da animalidade comum para a humanização no ambiente onde o homem construiu sua casa (Gn 1 e 2). Essa casa seria acolhedora, abrigo para os que têm fome, os humilhados quando reclamam dignidade, os oprimidos que fogem da exploração ou do bloqueio, impedidos de acesso ao desenvolvimento.

Nasceu o amigo de todos os humanos e do mundo (Jo 3.16), porque Deus se oferece como um nascituro redentor, a todas as criaturas, de maneira real, para que todos creiam que há salvação. Em Jesus se resgatam as utopias, os grandes valores da vida dos povos, das terras, do universo inteiro que geme sob a dor da opressão.

Assim, um homem ou uma mulher, diante da gloriosa criação, abre espaço e lugar à contemplação transcendente a respeito das responsabilidades éticas suscitadas desde os antigos. Contudo, o ser humano dificilmente se reconhece como senhor e como vassalo ao mesmo tempo, malgrado possa contemplar a grandiosidade da missão que lhe cabe.

O sonho da inclusão no projeto de Deus é propriedade de toda a família humana. Está no Menino que nasce para alimentar as utopias de integração das etnias, culturas, caminhos espirituais, na grande cadeia de relações que envolvem a vida sobre a terra. Jesus oferece o diálogo com o ser Profundo, que quer juntar-nos à Fonte da Vida (Lucas 1.48-55). Força e energia capazes de unir todos os que querem o bem uns dos outros, em todos os níveis, na sociedade, na economia, na cooperação, em total solidariedade, que culminará nas bem-aventuranças estendidas, por amor, a todos e ao mundo inteiro.

O Reino anunciado, no poema de Maria, a mulher gestante, na pessoa do nascituro Jesus, superando e projetando-se além das barreiras do tempo, não despreza a sustentabilidade, a tecnologia que dá empregos, no trabalho que construa novas relações; que constrói habitações e amplia a produção de alimentos. O Reino oferece espaço para a produção de bens essenciais, assim como os meios para sua eficiência, no transporte, na saúde e medicina igualitária, educação para o desenvolvimento. No Reino se cultiva a solidariedade irrestrita, a defesa do idoso, da mulher e da criança. Nele temos a antítese da impiedade, da violência, da ganância e disputas por supremacia.

O símbolo deste poema é a “luz” (… para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte, sob riscos permanentes; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz [Lucas 1.79]). A luz traz vida; a luz traz a salvação, por isso a noite que antecede sua chegada é tão formosa. É dentro dela que se ouve o imperativo: “haja luz e solidariedade”! Por outro lado, a luz é o grande sinal de libertação que o profeta propõe ao povo, em nome de Deus. Deus se entrega aos que ama enquanto sua Luz se derrama sobre a escuridão da opressão. Somos iluminados, podemos vislumbrar a dignidade ferida dos pobres, das “viúvas” e “órfãos” deste mundo, por causa do dom da Graça e da Misericórdia de Deus.

“No mundo dos pobres a solidariedade – a força da acolhida entre homens e mulheres, atinge a todas as pessoas feridas – prejudicadas física, emocional e psicologicamente, por múltiplas experiências de precariedade, carência, solidão, fracasso, frustração, entre outras situações de desesperança” (Elizabeth Salazar). A experiência da Graça é uma experiência de descanso, de repouso em Deus: a Graça é o Deus Salvador conosco, agindo para tornar humana a vida de todos os homens e mulheres2.   Paz e bem

Oração por um Novo Ano

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Senhor, tenho olhado à minha volta, e tenho permitido que minha vista vá além do que me circunda, para repousar em sistemas iníquos e maculados que, aos poucos, vão tomando de assalto o meu país. Minha atenção tem sido atraída para esferas governamentais e políticas, onde a corrupção, a desfaçatez e a maldade têm se tornado endêmicas; ao ponto de já não ser possível extirpá-las, sem que o organismo doente morra. E minha sensação de impotência tem trazido desânimo e desencanto.

Senhor, não quero desistir de minha responsabilidade de cidadão, mas, neste ano novo, por tua graça, e com tua ajuda, gostaria de voltar meu olhar e minha atenção para círculos mais próximos. Gostaria de reforçar minhas responsabilidades cristãs com aqueles em relação a quem posso, de fato, ter alguma responsabilidade. Gostaria de fazer o bem, da forma como me for dado fazer, a quem me circunda de perto.

Senhor, ajuda-me, em 2015, a ser um vírus do bem; uma influência por contato; que contamine por proximidade: uma sombra de árvore, uma bica de água, um sofá de descanso. De modo que aquele que me procurar encontre refrigério, atenção, orientação, oração, palavra edificante, o que for. Que os problemas globais e macroeconômicos não me desviem a visão do que posso ser e fazer, aqui e agora. Com gestos, ações e reações provenientes do teu amor e da minha gratidão.

Rubem Amorese

Quando oramos com o coração, temos a certeza que nossa oração se concretiza.

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Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. Mq 7.7

O capítulo sete de Miqueias expõe uma situação angustiante do profeta, que, em nome de Deus, faz várias advertências ao povo que não se arrepende dos erros.

O profeta chega a exagerar a sua nota de repugnância contra a nação quando diz: “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os homens um que seja reto; todos espreitam para derramarem sangue; cada um caça a seu irmão com rede. As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, a grande fala dos maus desejos de sua alma, e, assim, todos eles juntamente urdem a trama. O melhor deles é como um espinheiro; o mais reto é pior do que uma sebe de espinhos”. Mq 7.2-4 […].

O certo é que o profeta pregou contra esses comportamentos inadequados, mas nada mudou; então ele olha para si e desabafa; “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. ”

Desabafo ou oração? Se olharmos para o ministério do profeta, realizado em nome de Deus sem ver resultado positivo (resultado esse esperado por todo pregador da palavra), podemos imaginar que ele fez um desabafo mais ou menos assim: “Eu fiz o que pude, o povo vai ser punido porque quer, porque não quis ouvir a Palavra de Deus. Fiz minha parte”.

Quando vejo o texto como uma oração após a cansativa jornada sem sucesso visível aos olhos humanos, encontro profundo discernimento do profeta entre sua missão e sua segurança em Deus. Ele entende que de sua parte a missão está cumprida e o resultado pertence a Deus, daí sua oração: “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.”

Que lições podemos extrair dessa oração?

Os resultados que almejamos e não acontecem não podem tirar a nossa intimidade com Deus.

Miqueias tem pronto relacionamento com Ele e fixa seu olhar de esperança no Soberano Pai.

Outro ponto elogiável em Miqueias é sua pronta declaração de esperança na misericórdia salvadora de Deus. Ele crê que o Deus gracioso consegue diferenciar o certo do errado, então ele pode esperar no Deus da sua salvação. Outra virtude de Miqueias está em saber que Deus o ouve. Ele não corre de imediato atrás do psicólogo. Ele apresenta sua frustração ao Deus que ouve e tem todo tempo para ouvir os angustiados sem culpas. Digo sem culpa porque o lamento dele era porque o povo não se arrependeu, e não porque ele não pregou a Palavra. Ele fez a parte dele.

O nosso tempo é de correria. Algumas pessoas carregam grande carga de idoneidade e outras não estão preocupadas com essa qualidade. A proclamação profética é desprezada por boa parte da sociedade, e a abominação é aprazível a um grande número de pessoas.

Quem tem a mesma preocupação de Miqueias deve também ter a mesma postura nas angústias por falta de resultados favoráveis e visíveis. Deve orar sabendo que Deus está pronto para ouvir o desabafo de um homem ou mulher de Deus em oração.

 

Paz e bem