A BIBLIA ´ É A PALAVRA DO DEUS DO POVO, E DO POVO DE DEUS.



Assim escrevia Jônatas Macabeu ao Rei Esparta: “Nós não sentimos necessidade de apoio e alianças, tendo em mãos para o nosso conforto os Livros Sagrados ” (I Mc 12,9). Foram palavras pronunciadas ao Rei da Esparta no ano 154, Antes de Cristo, em nome de toda a Nação .
Pelas suas palavras, temos aqui o significado etmológico da Palavra Bíblia. Bíblia vem do grego: “Biblos”, que significa “Livro”. Daí o diminutivo “Biblion” igual a Livrinho, que no plural fica “Bíblia”. Dai, em nossa língua BÍBLIA.
Seu nome, bíblia, portanto, vem de uma palavra grega que significa: “os livros”. Mais do que um livro, a Bíblia é uma biblioteca! Inicialmente, a Bíblia significa uma coleção de Livros, de tudo que foi escrito no Antigo e Novo Testamento. Portanto, não é só um livro, mas muitos. É uma coleção de Livros Sagrados que contêm o retrato fiel de um povo.
A Bíblia é o livro religioso dos judeus e dos cristãos; os muçulmanos conhecem muitas de suas passagens através do Corão. Os crentes sabem que é a Palavra de Deus. Para os cristãos, comporta duas partes: o Antigo e o Novo Testamento. A Bíblia judaica só tem a primeira parte.
Coloque lado a lado uns sessenta livros, partindo dos Sertões de Euclides da Cunha até os nossos livros infantis, passando por obras de literatura de cordel, sermões de Monte Alverne, poemas de Castro Alves, cantos revolucionários, histórias e romances modernos, obras científicas e manuais de moral. .. e você terá uma vista de conjunto da literatura brasileira. Do mesmo modo, a Bíblia nos apresenta, nuns sessenta livros de extensão muito variável, o conjunto da literatura judaica e cristã durante mais de mil anos. Percebemos logo que isto constitui sua riqueza e também sua dificuldade.
Sua riqueza, porque a Bíblia nos permite ver como um povo foi, pouco a pouco, descobrindo seu Deus através dos acontecimentos de sua história, depois como os primeiros cristãos foram pouco a pouco descobrindo quem era Jesus.
Portanto a Bíblia não se apresenta como um “manual” em que todas as coisas se acham bem classificadas, em que só se propõe verdades bem provadas (e às vezes aborrecidas); antes, é um “álbum de família” onde fotos, cartas, documentos diversos permitem travarmos conhecimento com pessoas bem reais, ver como elas evoluíram, realizaram-se, descobriram o sentido de sua vida.
A dificuldade da Bíblia vem também em grande parte daí. Para perceber o interesse de um álbum de família, é preciso que eu possa classificar as fotos, situá-las em sua época (não se olha do mesmo modo uma foto da guerra de 14 e da revolução de 32).
Para descobrir a mensagem desses livros da Bíblia, é necessário igualmente que eu possa situá-los na história de Israel e dos primeiros cristãos, redescobrir sua cultura, o modo de cada época se exprimir. Isto explica porque os textos apresentados nesta obra não estão classificados na ordem em que se encontram na Bíblia.
Retomemos nossa comparação: reunimos uns sessenta livros sobre a história da França; em que ordem vamos arrumá- los? Podemos colocá-los na ordem em que apareceram: A guerra das Gálias, de Júlio César, por exemplo, será colocado em primeiro lugar, e uma obra recente sobre os gauleses, no último. Mas podemos também agrupá-los por assunto: colocaremos juntos então estes dois livros, embora haja entre eles um intervalo de 2.000 anos.
É esta última ordem que encontramos na Bíblia. Pura o Antigo Testamento, temos primeiramente a Lei ou Pentateuco (os começos do mundo, em seguida a história de Abraão, de Moisés …) – os Profetas – os outros Escritos; para o Novo Testamento: os evangelhos – as cartas de Paulo e dos outros – discípulos – o Apocalipse.
Nesta obra, seguiremos de preferência a ordem de aparecimento dos livros. O que nos permitirá situá-los mais facilmente em seu contexto histórico e retomar com Israel e os primeiros cristãos o caminho de sua descoberta de Deus.
Na Bíblia tem-se de tudo: deparamo-nos, por exemplo, “Os livros de histórias ou crônicas, como o Gênesis, o livro de crônicas ou livro dos Reis; coleções de leis, como o Levítico; poemas religiosos, como os Salmos; narrações romanciadas, como o Livro de Tobias ou cântico dos cânticos; pensamentos graciosos ou chocantes, como o Livro dos Provérbios ou Eclesiástico; poemas de sofrimentos, como o livro de Jó; as visões dos profetas, seus discursos e confidências. como os livros
de Isaias, Ezequias, Jeremias, Daniel e tantos outros; os quatro evangelhos, contendo a vida e as mensagens de Jesus Cristo; os atos dos apóstolos, que contam os
começos da Igreja e as viagens de São Paulo, São Barnabé e São Lucas; as epístolas, cartas pastorais dos Ap6stolos, Pedro, Paulo, Tiago, Judas e João às suas comunidades; o Apocalípse de São João. revelando o futuro da Igreja .
A Bíblia é o retrato fiel de um povo, conservado numa desordem organizada. naquelas páginas antigas .
A Bíblia se compõe de livros santos, porque dentro de sua grande variedade, eles coincidem em tratar de religião. tendo um objetivo essencialmente religioso. Chamam-se livros sagrados, porque como ensina a fé tanto judaica, ,como cristã, não foram escritos por mero talento humano, mas também com inspiração divina especial. É desta origem sobrenatural que a Bíblia recebe a sua dignidade de livro por excelência. É Ela o fundamento e o alimento da fé para todos os cristãos e nenhum ,outro livro, no mundo, pode ser a Ela comparado. nem de longe, seja pelo número de tiragem de edições, quer manuscritas, quer impressas, seja pela influência: sobre a vida individual e pública, sobre a literatura e as artes figurativas.
Qualquer pessoa sinceramente apegada à sua religião tem-na, por assim dizer, constantemente, em mão, como Jônatas o apontava para nela encontrar conforto em todas as vicissitudes da vida .

OUTROS NOMES DA BÍBLIA

Encontramos; freqüentemente. na Bíblia, outros nomes, como:
– A Escritura ou as Escrituras,
– As Santas Escrituras,
Mais raramente, com o nome de: As Sagradas Letras.
O povo acostumou-se a chamar a Bíblia de:
– Sagrada Escritura,
– A Lei e os Profetas,
– A Divina Revelação,
– Os Livros Santos,
– Livro por Excelência,
– As Sagradas Letras,
– As Santas Letras,
– A História Sagrada,
– Carta de Deus,
– O Album da Familia Cristã.

QUEM É O AUTOR DA BÍBLIA? DEUS E O POVO DE DEUS
No livrinho “BIBLIA: Livro feito em mutirão” (disse livrinho, porque, na verdade é um curso sobre a Bíblia. É um livro pequerrucho, mas bem denso. É desses livrinhos que fazem pensar e dão vontade de caminhar. É filhote da Bíblia, e tem cara da mãe. É também desses livros que para lê-lo não pode ser com pressa. É preciso lê-lo saboreando as comparações, conferindo as citações bíblicas, relendo cada capítulo várias vezes e lendo e discutindo em grupo) o biblista mais lúcido Carlos Mesters diz elegantemente que ” A Bíblia não caiu pronta do céu. Ela surgiu da terra, da vida do povo de Deus. Surgiu como fruto da inspiração divina e do esforço humano.
Quem escreveu foram homens e mulheres como nós. Eles é que pegaram caneta e papel e escreveram o que estava no seu coração.
A maior parte deles não tinha consciência de estar falando ou escrevendo a Palavra de Deus. Estavam só querendo prestar um serviço aos irmãos em nome de Deus. Eles eram pessoas que faziam parte de uma comunidade, de um povo em formação, onde a fé em Deus e a prática da justiça eram ou deviam ser o eixo da vida.
Preocupados em animar esta fé e em promover esta justiça, eles falavam e argumentavam para instruir os irmãos, para criticar abusos, para denunciar desvios, para lembrar a caminhada já feita e apontar novos rumos. Alguns deles chegaram a escrever, eles mesmos, as suas palavras ao povo. Outros nem sabiam escrever. Só sabiam falar e animar a fé pelo seu testemunho. As palavras destes últimos foram transmitidas oralmente, de boca em boca, durante muitos anos. Só bem mais tarde, outras pessoas decidiram fixá-las por escrito.
As palavras faladas ou escritas de todos estes homens e mulheres contribuíram muito para formar e organizar o povo de Deus. Por isso, o povo delas se lembrou e por elas se interessou. Não permitiu que caíssem no esquecimento. Fez questão de distingui-las das palavras e das atitudes de tantos outros que em nada contribuíram para a formação do povo, nem para a animação da fé e nem para a prática da justiça.
Tudo isso não se fez num dia só. Foi um longo processo que durou séculos. Muita gente colaborou. O povo todo se interessou.
Ora, a Bíblia foi surgindo do esforço comunitário de toda esta gente. Surgiu aos poucos, misturada com a história do próprio povo de Deus.
Resumindo, a gente pode dizer: a Bíblia nasceu da vontade do povo de ser fiel a Deus e a si mesmo; nasceu da preocupação de transmitir aos outros e a nós esta mesma vontade de ser fiel. Eles diziam: ” As coisas do passado aconteceram para servir de exemplo, e foram escritas para a nossa instrução, para nós que estamos vivendo neste fim dos tempos” (lCor 10,11).
A Bíblia nasceu sem nome e sem rótulo. Só mais tarde, o próprio povo descobriu aí dentro a expressão da vontade de Deus e a presença real da sua Palavra Santa. Deus estava trabalhando e inspirando, desde o começo, mas eles o descobriram só no fim. A gente só conhece totalmente uma flor, depois que o botão se abre e que as pétalas são visíveis à luz do sol. O botão da Bíblia abriu foi na ressurreição de Jesus” .

A BÍBLIA É UM LIVRO INSPIRADO POR DEUS

Como é que um livro que surge da vida e da caminhada do povo pode ser, ao mesmo tempo, a Palavra de Deus?
Um agricultor resumiu a resposta nesta frase: “Deus fala misturado nas coisas: os olhos da gente percebem Só as coisas, mas a fé enxerga Deus que aí nos fala! ”
A ação do Espírito de Deus pode ser comparada com a chuva: cai do alto, penetra no chão e acorda a semente que produz a planta (cf. Is 55,10-11). A planta que assim nasce é fruto, ao mesmo tempo, da chuva e do chão, do céu e da terra. A Bíblia é fruto, ao mesmo tempo, do céu e da terra, da ação gratuita de Deus e do esforço suado dos homens. É a Palavra do Deus do povoe do povo de Deus!
A ação do Espírito Santo pode ser comparada com o sol: seus raios invisíveis esquentam a terra e fazem crescer as plantas de baixo para cima. Pode ser comparada ainda com o vento que não se vê. A Bíblia é fruto do vento invisível de Deus que moveu os homens a agir , a falar ou a escrever.
Até hoje, quando lemos a Bíblia, o Espírito de Deus nos atinge. Ele nos ajuda a ouvir e a praticar a Palavra de Deus. Sem ele, não é possível descobrir o sentido que a Bíblia tem para nós (cf. João 16,12-13; 14,26}. Onde encontrar este Espírito, para que ele esteja conosco na leitura e na interpretação que fazemos da Bíblia ?
O Espírito de Deus não se compra nem se vende. Não há dinheiro que O pague! (cf. Atos 8,20). Ele nem é fruto só de estudo. Não basta a sabedoria humana para poder entender a mensagem da Palavra de Deus (cf. Mateus 11,25). O Espírito Santo é um dom que deve ser pedido na oração (cf. Lucas 11,13). Por isso é importante rezar antes da leitura e do estudo da Bíblia.”
Bíblia: Livro feito em mutirão, Carlos Mesters, ed. Paulinas, pp. 7- 10.

A PRÓPRIA BÍBLIA FALA DESTA INSPIRAÇÃO DIVINA

” Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para persuadir, para corrigir e formar na justiça” (2 Tm 3,16).
O próprio Jesus, referindo-se ao livro dos Salmos, diz que Ele foi escrito sob a inspiração do Espírito Santo: ” Davi, inspirado pelo Espírito Santo diz: disse o Senhor ao meu Senhor” (SI 109; Mc 12,36) .
Há muitas outras passagens da Bíblia que testemunham que Deus é seu autor. Veja por exemplo:
Ex 24,4: “Moisés escreveu todas as palavras de Iahweh; e levantando-se de manhã, construiu um altar ao pé da montanha, e doze estrelas para as doze tribos de Israel”.
Ex 24,7: “Tomou o livro da Aliança e o leu para o povo; e eles disseram: Tudo o que Iahweh falou, nós o faremos e obedeceremos e obedeceremos”.
Is 30,8: ” Vai agora e escreve-o sobre uma prancheta, grava-o em um livro que se conserve para dias futuros, para todo o sempre…
Is 34,16: ” Buscai no livro de Iahweh e lede: nenhum deles ficará sem o seu companheiro, porque assim ordenou a boca de Iahweh; o seu espírito os ajuntou.
Jr 36,2: ” Toma um rolo e escreve nele todas as palavras que te dirigi a respeito de Israel..”.
At 1,16: “
At 4,25: ”
At 28,25: “
Hb 3,7: ”
Hb 10,15-16: ”
São Pedro, referindo-se à Bíblia Sagrada no Antigo Testamento, declara-a inspirada por Deus: “homens inspirados pejo Espírito Santo, falaram da parte de Deus ” (2 Pd 2-,21) .
Na epístola aos Hebreus também se fala desta inspiração: “Muitas vezes, e de muitos modos, Deus falou aos nossos pais, pelos profetas, mas, ultimamente, falou-nos por seu Filho” (Hb 1,1-2).
Vemos também termos equivalentes à inspiração divina em
Mt 5,18:
Mt 26,54:
Lc 18,31:
Lc 24,27:
Jo 5,39:
Am 1,2:
1 Pd 1,12:

O QUE É INSPIRAÇÃO NA BÍBLIA?

O Papa leão XIII define a inspiração divina Bíblia, nestes termos:
“O Espírito Santo
1 – impulsionou os escritores sagrados a escrever;
2 – ele próprio os assistiu, enquanto eles escreviam, de tal maneira que:
a) eles pensavam exatamente
b) queriam transmitir fielmente,
c) e exprimiam como verdade infalível tudo o que Ele lhes ordenava escrever e somente o que Ele lhes ordenava escrever. (Encíclica Providentissimus Deus, 84).
O Concílio Vaticano II assim se expressa a respeito do sentido e da finalidade da revelação e da Bíblia:
1. ” Deus quis revelar-se a si mesmo.
2. ” Quis também que soubéssemos que podemos achega- nos ao Pai. Mediante o Cristo e no Espírito Santo e que podemos tornar-nos participantes de sua natureza divina. (Ef 2, 18; 2 Pd 1,4).
3. “Esta revelação se realiza através de acontecimentos e palavras intimamente conexos entre si, de forma que as Obras realizadas por Deus, na história da salvação, manifestam e confirmam os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras. Estas, por sua vez, proclamam a obras e esclarecem o mistério nelas contido” (Conc. Vaticano II, Dei Verbum, 2).

POR QUE OS 72 LIVROS SÃO CANÔNICOS

O povo da Bíblia viveu a vida e foi procurando os caminhos de Deus. Com a ajuda de Deus, foram descobrindo a presença do Espírito, à luz de Cristo. Perceberam que tudo estava sendo orientado por Deus para Cristo. Percorreram as estradas de Deus desde o ponto inicial até o ponto de chegada que é a ressurreição de Jesus Cristo.
Deus fez questão que tudo fosse descrito num livro, para que nós, hoje, lendo e estudando este livro, tivéssemos um critério para .descobrir em nossa vida a mesma presença de Deus que eles descobriram em sua vida. Esse é o livro da Bíblia. por isso, nós dizemos que a Bíblia é a norma e o critério de nossa fé.

A LISTA DOS LIVROS INSPIRADOS

Para ter uma ajuda e uma orientação na sua vontade de ser fiel a Deus e a si mesmo, o povo foi fazendo uma seleção daqueles escritos considerados por todos de grande importância para a sua vida, e que mais o ajudaram na sua caminhada. Assim surgiu uma lista de livros ou de escritos, reconhecidos por todos como sendo a expressão da sua fé, das suas convicções, da sua história, das suas leis, do seu culto, dos seus cantos, da sua missão.
Lidos e relidos nas reuniões e nas celebrações do povo, os livros desta lista foram adquirindo, aos poucos, uma grande autoridade. Eram o patrimônio sagrado do povo, porque lhe revelavam a vontade de Deus. Daí vem a expressão Escritura Sagrada. Eles diziam: “Temos para consolo os livros sagrados que estão em nossas mãos ” ( 1 Mc 12,9) . Eles usavam estes livros para ter força e coragem na luta (cf. 2Mc 8,23).
Falamos em” Cânon dos livros inspirados”. “Cânon” quer dizer norma, critério, roteiro. A Bíblia é para nós uma norma certa, um roteiro seguro e um critério divino que nos orienta na estrada da vida.
Quando você vai por uma estrada desconhecida, é bom ter alguém que conheça a estrada e já passou por lá. Ora, nesta estrada desconhecida da vida, a Bíblia é quem nos orienta. Ela ” tem autoridade para isso, por diversos motivos:
1 – porque descreve a caminhada do povo que já passou pela estrada .
2 – porque Deus mesmo garante que a descrição que a Bíblia dá desta caminhada é exata, pois E1e mesmo inspirou a Bíblia .
3- porque a Bíblia é o livro do povo de Deus e da Igreja que vem lendo, desde o tempo ,dos apóstolos. Já deu tantos frutos no passado, que .podemos ter esperança para o futuro.
4- porque a Bíblia traz, ao mesmo tempo, a luz da palavra que esclarece o caminho e a força do Espírito que nos faz superar e eliminar os obstáculos .
Usamos a palavra lista. Eles usavam uma palavra grega e diziam cânon. A palavra cânon quer dizer lista ou norma. Por isso, até hoje, se fala em livros canônicos para indicar os livros daquela lista ( cânon) .Os livros canônicos eram a norma da fé e da vida do povo de Deus. Ora, esta lista de livros sagrados recebeu mais tarde o nome de Bíblia.
Portanto, a Bíblia é o resultado final de uma longa caminhada, fruto da ação de Deus que quer o bem dos homens, e do esforço dos homens que querem conhecer e praticar a vontade de Deus. Ou seja, a Bíblia é o fruto de um mutirão prolongado do povo que procurava descobrir, praticar, escrever e transmitir aos outros e a nós a Palavra de Deus presente na vida.

QUANTOS LIVROS TEM A BÍBLIA?

A Bíblia se divide em duas grandes partes: a primeira, anterior a Cristo e a segunda posterior.
A primeira chama-se Antigo Testamento (que se abrevia A. T.) ou Velho Testamento.
A segunda chama-se Novo Testamento (que se abrevia N. T.).
A Bíblia toda contém setenta e dois livros, ou seja, quarenta e cinco do Antigo e vinte e sete do Novo Testamento. Para você guardar na cabeça leia 72 da direita para a esquerda, é 27. Vinte e sete são os livros do Novo Testamento. De 27 ate 72 são 45. Quarenta e cinco são os livros do Antigo Testamento.
As vezes, surge uma confusão entre os leitores. Alguns dizem que existem 72 e outros 73. Quem está certo? Vamos explicar:
O Concilio de Trento, em seu decreto sobre o Cânon dos livros da Bíblia, considera Lamentações de Jeremias, como fazendo parte do Livro de Jeremias. Segundo o mesmo Concílio, são quarenta e cinco os livros do Antigo Testamento. Algumas traduções contam “As Lamentações” como livro à parte, separado do de Jeremias. Daí os setenta e três livros.

OS TÍTULOS DOS LIVROS DA BÍBLIA

Os Títulos dos livros da Bíblia lembram, por vezes, o nome de seus autores, outras vezes, o nome de seus destinatários ou ainda os assuntos que neles são tratados.
É – nos conhecido o nome de muitos destes autores. Alguns escritos são o produto de uma colaboração ou constituem uma coleção de textos antigos compilados posteriormente. Os autores viveram em lugares e ambientes muito diversos. Cada um deles imprimiu na sua obra traços muito característicos de sua personalidade .

A PALAVRA TESTAMENTO

Testamento significa acordo, pacto, contrato, aliança, amizade. Foi um acordo de amizade que começou lentamente e foi crescendo à medida em que o povo tinha condições para entender o relacionamento de Deus e dos homens. O Antigo Testamento quer dizer, a antiga aliança ou o antigo acordo que Deus fez com a humanidade por meio de Abraão e Moisés.
Novo Testamento quer dizer a nova aliança, o novo acordo que Deus fez com a humanidade na pessoa de Jesus Cristo.

ABREVIATURAS E SIGLAS

Os títulos dos livros bíblicos são abreviados da seguinte maneira, de acordo com a ordem que temos na Bíblia:

ANTIGO TESTAMENTO: LIVROS HISTÓRICOS

Gênesis (Gn)
Êxodo (Ex)
Levítico (Lv)
Números (Nm)
Deuteronômio (Dt)
(Estes primeiros cinco livros da Bíblia são chamados “Pentatêuco” e formam o cerne da Bíblia. Pentateuco é uma palavra que vem do grego. que significa cinco livros. Os antigos deram -lhe o nome de “Torá “, que quer dizer a ” Instrução, a Lei”. São os cinco livros escritos por Moisés, sem afirmar que os tenha composto inteiramente) .
Josué (Js)
Juizes (Jz)
Rute (Rt)
Primeiro e Segundo Samuel (I e 1I Sm)
Primeiro e Segundo Reis (1 e II Rs)
(Algumas edições da Bíblia reúnem os quatro livros de Samuel e Reis sob o único título de” Livros dos Reis” .Assim:
O 1 Livro de Samuel é igual a I Livro dos Reis.
O II Livro de Samuel é igual o II Livro dos Reis.
O I Livro dos Reis é igual o III Livro dos Reis,
O II Livro dos Reis é igual o IV livro dos Reis.

Nessas edições, o I e o II Livro das Crônicas são chamados: I e II Livro dos Paralipômenos) .
Primeiro e Segundo Crônicas (I e II Cr)
Esdras (Esd)
Neemias (Ne)
Tobias (Tb)
Judite (Jt)
Ester (Est)
Primeiro e Segundo Macabeus (lMc, 2Mc)

ANTIGO TESTAMENTO: LIVROS POÉTICOS, SAPIENCIAIS OU DOUTRINÁRIOS

JÓ (Jó)
Salmos (SI)
Provérbios (Pr)
Eclesiastes (Coélet) (Ecl)
Cântico (Ct)
Sabedoria (Sb)
Eclesiástico (Sirácida) (Eclo)

ANTIGO TESTAMENTO : LIVROS PROFÉTICOS

Isaías (Is)
Jeremias (Jr)
Lamentações (Lm)
Baruc (Br)
Ezequiel (Ez)
Daniel (Dn)
Oséias (Os)
Joel (JI)
Amós (Am)
Abdias (Ab)
Jonas (Jn)
Miquéias (Mq)
Naum (Na)
Habacuc (Hab)
Sofonias (Sf)
Zacarias (Zc)
Malaquias (MI)

NOVO TESTAMENTO : LIVROS HISTÓRICOS

Mateus (Mt)
Marcos (Mc)
Lucas (Lc)
João (Jo)
Atos dós Apóstolos (At)

NOVO TESTAMENTO : LIVROS DOUTRINARIOS

Epístola aos Romanos (Rm)
Epístolas aos Coríntios (1 Cor e 2 Cor)
Epístola aos Gálatas (Gl)
Epístola aos Efésios (Ef)
Epístola aos Filipenses (Fl)
Epístola aos Colossenses (Cl)
Epístolas aos Tessalonicenses (1Ts e 2 Ts)
Epístolas a Timóteo (1Tm e 2 Tm)
Epístola a Tito (Tt)
Epístola a Filemon (Fm)
Epístola aos Hebreus (Hb)
Epístola de Tiago (Tg)
Epístolas de Pedro (1 Pd e 2Pd)
Epístolas de São João (1Jo, 2Jo, 3Jo)
Epístola de Judas (Jd)

NOVO TESTAMENTO : LIVRO PROFÉTICO

Apocalipse (Ap)

PARA QUÊ A BÍBLIA FOI ESCRITA!

A Bíblia, esta carta de amor de Deus para com a humanidade, foi escrita para manter o povo na caminhada. O que anima o povo a caminhar são três coisas:
1º) Contar o passado –
Uma pessoa pode animar-se a fazer alguma coisa para o outro quando olha as coisas que este fez por ela no passado. Assim, o povo da Bíblia, olhando as coisas que Deus tinha feito por ele no passado, se animava a caminhar para frente. Tudo isso foi contado naqueles que são chamados de Livros Históricos, livros que contam as coisas do passado do povo. Você pode procurar, no índice de sua Bíblia, a lista dos Livros Históricos a ler algum para ver como lá estão contadas experiências vividas pelo povo.
2º) Anunciar o futuro –
Uma pessoa pode animar-se a fazer alguma coisa para o outro quando olha as possibilidades que este lhe oferece para o futuro. Então nasce a esperança, força e coragem. Assim, o povo da Bíblia se animava a caminhar para frente, quando colocava diante de si as promessas feitas por Deus para o futuro. Tudo isso foi descrito nos assim chamados Livros Proféticos, que tratam da esperança do futuro. Tratam do futuro não tanto por causa do futuro em si, mas sobretudo por causa do presente. O futuro que Deus oferece esclarece o presente, anima os desanimados e corrige os transviados. Os Livros Proféticos mostram como os profetas, em nome de Deus, tentavam encorajar o povo para a esperança e como procuravam desfazer as falsas esperanças do povo. No índice de sua Bíblia você encontra também o elenco dos Livros Proféticos.
3º) Mostrar o presente –
Uma pessoa pode animar-se a fazer alguma coisa para o outro, olhando simplesmente a vida presente que vive, procurando resolver os problemas que esta levanta. A caminhada do povo da Bíblia com Deus começou aqui. Os hebreus começaram sua caminhada olhando não só o passado, nem só o futuro, mas olhando também o presente, onde existiam os problemas que pediam uma solução. Esta é a terceira pista. É a estrada simples que o povo encontrou dentro da vida de cada dia, no presente que estava vivendo. Eram e ainda são os problemas de saúde, de educação, de moradia, de comida, de roupa, de salário, de sofrimento, de morte, de relacionamento com os vizinhos, problemas de família e de trabalho, problemas ligados às tristezas e alegrias da vida. Tudo isso foi descrito nos assim chamados Livros Sapienciais. Chamam-se sapienciais porque descrevem a sapiência, isto é, a sabedoria do povo, que até hoje existe e se encontra em toda parte, até nos pára- choques dos caminhões.
Fizemos aqui uma distinção entre as três pistas apresentadas pelo Antigo Testamento. Mas não se deve pensar que sejam três caminhos diferentes. São três pistas da mesma estrada. É como hoje
em dia: apenas uma faixa de 30 centímetros separa uma pista da outra. Você passa de uma pista para a outra sem a menor dificuldade. Às vezes você anda em duas pistas ao mesmo tempo. Assim é na Bíblia. Não dá para separar as três pistas, porque fazem parte da mesma realidade.

ANTIGO E NOVO TESTAMENTO ESTÃO MISTURADOS

Em nossa vida, o Antigo e o Novo Testamento estão misturados. O bem e o mal estão aí, dentro da vida de cada um de nós. Temos de fazer um esforço constante, para que o Antigo fique novo e que o nosso Antigo Testamento se torne para nós Novo Testamento.
O povo do Antigo Testamento foi descobrindo na vida que vivia o caminho para o Novo Testamento. Caminhando por este caminho, chegou ao ponto que é a ressurreição de Cristo. Ora, também em nossa vida existe este caminho que pode levar-nos até Jesus Cristo, até a ressurreição. É precisamente para podermos perceber e conhecer melhor este caminho para Cristo que lemos até .hoje as páginas do Antigo Testamento.

TRÊS PISTAS DOS LIVROS DA BÍBLIA

As estradas da vida que nos levam a Cristo têm muitas pistas. Vejamos as três pistas do Antigo Testamento que nos levam a Cristo:

Primeira pista: LIVROS HISTÓRICOS.
Essa primeira pista é o passado. Uma pessoa pode animar-se a fazer alguma coisa para o outro, quando olha as coisas que este fez por ele no passado. Assim, o povo da Bíblia olhando as coisas que Deus tinha feito por ele no passado, se animava a caminhar para a frente. Tudo isto foi descrito nos livros históricos.

Segunda pista: LIVROS POÉTICOS, SAPIENCIAIS OU DOUTRINÁRIOS .
Os hebreus começaram sua caminhada para Cristo, não só olhando o passado, nem só o futuro, mas também olhando o presente, onde existem os problemas que pediam uma solução. Esta é a estrada simples que o povo encontrou dentro da vida de cada um no presente que estava vivendo. Eram e ainda são os problemas de saúde, de educação, de moradia, de comida, de roupa, de sofrimento, de morte, de relacionamento com os vizinhos, problemas de família e de trabalhos, problemas ligados às tristezas e alegrias da vida. Tudo isto foi descrito nos livros chamados sapienciais.
Chamam-se sapienciais, porque descrevem a sapiência, isto é, a sabedoria do povo que até hoje existe em toda parte.

Terceira pista: LIVROS PROFÉTICO:
O povo da Bíblia se animava a ir para frente, quando se colocava diante de si, as promessas feitas por Deus para o futuro. Tudo isto foi descrito nos livros proféticos que tratam da esperança, do futuro. Tratam do futuro não tanto por causa do futuro em si, mas sobretudo, por causa do presente. O futuro que Deus oferece esclarece o presente, anima os desanimados e corrige os transviados .
Os livros proféticos mostram como os profetas, em nome de Deus, tentavam encorajar o povo para a esperança e como procuravam desfazer as falsas esperanças do povo.

PERGUNTAS PARA CONTINUAR A REFLEXÃO
1. O eixo da vida deve ser a fé em Deus e a prática da justiça. Converse sobre este assunto e procure entendê-lo melhor.
2. Os escritores da Bíblia queriam prestar um serviço aos irmãos em nome de Deus. Que serviço foi esse? Valeu também para nós?
3. A ação do Espírito de Deus que move alguém a escrever pode ser comparada com a chuva, com o sol e com o vento. Procure aprofundar estas comparações.
4. Sem o Espírito de Deus não é possível descobrir o sen- tido da Bíblia para nós. O Espírito de Deus não se compra nem se vende. É um dom de Deus. Pense nisso!
5. A Bíblia é o resultado de uma longa caminhada dos homens e é fruto do amor de Deus. É palavra de Deus e palavra dos homens. Comente isto!

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