PALAVRA EFICAZ


“Desconhecer a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. (São Jerônimo)


A Igreja no Brasil nos habituou a celebrar em setembro o mês da Bíblia. Talvez muitos não saibam a origem desta celebração. A escolha deve-se ao fato de que em setembro, no dia 30, se recorda São Jerônimo, autor no século IV da tradução latina da Bíblia e grande estudioso, apaixonado pela Sagrada Escritura.
Na Escritura, Deus se revela através de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados, de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e a confirmar os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido (cfr. DV 2/162). A Palavra de Deus tem sido muitas vezes esquecida pelos católicos, talvez precisando aprender dos irmãos protestantes o amor e a paixão por ela. Lançamos o convite a todos de que pelo menos durante este mês, possamos tomar nossas Bíblias nas mãos para ler e meditar sobre o que a Palavra tem a nos dizer. Propomos o texto de Isaías 55, 10-11.


Contexto
O texto faz parte do chamado Deutero-Isaías, o qual é um profeta que exerce a sua missão entre o Povo de Israel exilado na Babilônia, procurando consolar e manter acesa a esperança em meio à amargura, desilusão e decepção instaladas no meio das pessoas. Os capítulos que recolhem a sua mensagem (Is 40-55) são conhecidos como o “Livro da Consolação”.
Na primeira parte (Is 40-48), o profeta anuncia aos exilados a libertação do cativeiro e um “novo êxodo” do Povo de Deus rumo à Terra Prometida; já na segunda parte (Is 49-55), o profeta fala da reconstrução e da restauração de Jerusalém.
Estes três versículos fazem parte do final do “Livro da Consolação”. Depois de convidar o Povo (que ainda está na Babilônia) a buscar e invocar o Senhor (Is 55, 6-9), o profeta relembra a eficácia da Palavra de Deus que acabou de ser proclamada aos exilados (Is 55, 10-11).


A dificuldade
Em nível histórico, estamos na fase final do Exílio (por volta dos anos 550/540 a.C.). A comunidade exilada está cansada de belas palavras e de promessas de libertação que tardam em concretizar-se. A impaciência, a dúvida, o ceticismo vão minando lentamente a resistência e a fé das pessoas. De modo que entre o Povo surge a pergunta: será que as promessas de Deus se concretizarão? Ele não está sendo demasiado lento, em relação a algo que exige uma intervenção imediata? Deus terá se esquecido da situação do seu Povo?


A resposta
Não – diz o profeta – Deus não se esqueceu do seu Povo. A sua Palavra não deixará de se concretizar, pois Ele é eternamente fiel às suas promessas. A Palavra de Deus é eficaz, transformadora, geradora de vida. Ela nunca falha.Para expressar a ideia da eficácia desta Palavra, o profeta utiliza o exemplo da chuva e da neve: assim como a chuva e a neve que descem do céu fecundam a terra e multiplicam a vida nos campos, assim a Palavra de Deus não deixará de se concretizar e de criar vida plena para o Povo de Deus. A imagem é extremamente sugestiva. Devia certamente recordar aos judeus exilados na Babilônia as chuvas que caem no norte de Israel e as neves do monte Hermon. Essa água caída do céu alimenta o rio Jordão; e este, por sua vez, corre por toda a terra de Israel, deixando um rastro de vida e de fecundidade. A Palavra de Deus é como essa água bendita caída do céu que, inevitavelmente, gera a vida que alimenta o Povo de Deus.


Palavra de esperança
A Palavra de Deus é um convite à confiança, ao otimismo, à esperança e à certeza de que Ele é fiel às suas promessas e que a sua Palavra se torna realidade. Em nossa vida por vezes nos sentimos frustrados ao olhar que os maus, os corruptos, os violentos, parecem triunfar sempre e nunca são castigados pelo seu egoísmo e prepotência, enquanto que os bons, os justos, os humildes, os pacíficos são continuamente vencidos, magoados, humilhados… Então perguntamos: podemos confiar nas promessas de Deus? A Palavra de Deus que hoje nos é proposta responde a estas dúvidas. Ela garante que não falha; ela indica sempre caminhos de vida plena, de vida verdadeira, de liberdade, de felicidade, de paz sem fim.
A Palavra nos dá esperança, indica-nos os caminhos que devemos percorrer e nos dá ânimo para intervirmos no mundo. Ela não só não adormece a nossa vontade de agir, mas revela-nos os projetos de Deus para a humanidade, convidando-nos ao compromisso com a transformação e a renovação do mundo, isto é, com a construção do Reino.


Sem tempo?
“Tempo é dinheiro” é a famosa frase que parece estar nos acompanhando nestes tempos que correm. Passamos a vida numa correria louca, contando os minutos, sem tempo para as pes­soas, sem tempo para nós, sem tempo para Deus. Tornamo-nos impacientes e exigentes. Achamos que ser eficiente é ter feito ontem aquilo que é pedido para hoje… E achamos que Deus também deve seguir os nossos ritmos. Queremos que Ele aja imediatamente, que resolva logo os nossos problemas, que atue de imediato, ao sabor dos nossos desejos e projetos. É preciso, no entanto, aprender a respeitar o ritmo de Deus, o tempo de Deus. Na Palavra aprendemos a conhecer e respeitar os tempos de Deus, que sempre realiza a sua Palavra.


* Patrick Gomes Silva, imc, é diretor do Centro Missionário José Allamano.
 
Última Alteração: 10:53:00
Fonte: Revista Missões
Local:São Paulo (SP)
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s