Sempre culpando Deus




“Como falar de evangelização, quando perdermos de vista a importância de ser uma via comunitária de participação efetiva e contundente na reaceitação do próximo. Não paro por aqui, como ser permissivo a defesas ferrenhas em favor de reformas, ou avivamentos se nem sequer discernirmos o quanto o serviço, o discipulado e a práxis constituem a mais e maior expressão no que toca ao papel de ser igreja.”

Parei e, então, tive a coragem para, enfim, num surto de transparência, e isso deve e é bom, admitir a quem de fato e direito atribuo as minhas desordens. 

Deixo ser mais específico, falo das mancadas ocorridas em determinado trajeto da minha história. Sem delongas, sonhos e idéias marcados por resultados nada previstos no script. 

Mesmo assim, no porto das boas – notícias, após o cessar daquele ímpeto, ou, como atestam, o nominado primeiro amor, daquela eloqüência por ganhar o próximo, por ser um pescador de almas, por ser partícipe de uma comunhão movida e promovida pelas engrenagens do servir, do ouvir e do tolerar, me vejo numa estranha e hilária síndrome de compensar as perdas e as descobertas.

Digo descoberta, em decorrência de perceber as mazelas, os dissabores, as frustrações e as hipocrisias escondidas nos tapetes do faz de conta e que tudo está bem e assim vou levando um evangelho de aparências. 

Ah, as perdas adentram no sentido de eleger, nomear e carimbar um responsável. 

Aliás, os candidatos podem ser obtidos dentro de um leque de opções. O destino, as potestades, o sistema secular e suas ramificações (econômicas, culturais, políticas, sociais, étnicas e por ai vai), o semelhante. 

Por enquanto finco as estacas, dentro da dimensão evangélica, e reconheço o quanto tenho elegido Deus. Ora, poderá haver melhor culpado pelas perdas, pelas desgraças, pelas falências com a qual me deparei ou me deparo? 

É bem verdade, muitos refutarão as palavras ditas acima e levantaram louváveis argumentações. Para isso, os expedientes teológicos disponibilizam um acervo fartíssimo. 

Mormente todas essas maneiras de tentar diminuir essa constatação, o espelho de forma alguma pode esconder uma face envolta por lágrimas e uma existência de transparência. 

Pra que tampar o sol com a peneira, fingir uma devoção com relação as promessas evocadas nas escrituras sagradas. Por mais que negue, acabo por reconhecer o quanto culpo, e quanto me valho desse artifício, a Deus, sem descartá – Lo totalmente, e incorrer na fantasia de me acomodar com os meus anseios.

Vou adiante, enquanto permanecia diante do espelho, sem nenhuma pieguice, continuo com a postura conveniente de levantar as mãos, de viver um sobrenatural de fachada, de apenas recitar um amontoado de expressões, de apregoar uma liberdade que aspira ser apresentado. 

Desse modo, por meio de simples atitudes e posturas, culpo e condeno a ‘’Deus’’ por um casamento desastroso, por manchas cravadas nos recônditos da alma, por não ter alcançado isso ou aquilo, por não conseguir vislumbrar mais nada de bom, de agradável e justo na Graça. 

Mesmo assim, permaneço, quem sabe, por covardia, ou por comodismo!.

Eis a estampada constatação e, apesar disso, caminho numa relação de resignação e caso ocorra, estarei na eternidade. 

Devo dizer, nada mais do que justo; depois de ser submetido a uma criação enredada por erros que nãos os cometi. 

De certo, a compensação deve ser acolhida! Talvez, por isso, prossiga a deixar as comportas do que, verdadeiramente, sempre quis exclamar, mas mantenho em confidências (Olha Deus, tenho o direito de ser feliz e como a Sua Onipotência, Onisciência e Onipresença estiveram inertes, como se o Senhor estivesse na platéia e omisso, enquanto formava determinadas escolhas, cujos resultados trouxeram fracassos, não posso, diante disto, ser punido ou podado ou levado a uma espera atordoante. Olha Deus, sei que essas colocações são imaturas, até levianas e retratam alguém pra lá de mal agradecido, no entanto, enquanto estava naquela alienação e desintegração do ser, ou perdido nas andanças do pecado, essa sensação de subversão e de procurar um culpado, nunca tinha ocorrido com tamanha ênfase, pujança e impacto).

Pronto, respirei calmamente, lavei o rosto com a água gelada de mais, mais uma manhã de domingo e, por fim, preparado para mais um ritual, a bíblia nas mãos e uma roupagem de uma fé valida estritamente, durante um ínfimo dia na semana. 

Estranhamente, ainda escrevo tudo isso no anonimato e rejeito terminantemente – ‘’o recomeçar do Senhor’’!

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