Temos um sonho


Esse artigo nasceu de um sonho que tínhamos ao escrevermos nossos textos para “O Livro do Som do Céu” (Editora Palavra, 2009): vermos os templos cristãos brasileiros sendo utilizados para promoção e divulgação das artes. Eu e os músicos Jorge Camargo e Romero Fonseca (da banda Expresso Luz) – com eles divido a autoria do artigo – não confabulamos previamente sobre esse desejo, nem discutimos em conjunto o que estaríamos escrevendo, mas em nossos capítulos se encontraram frases como: “Sonhei uma igreja. […] Além dos cursos profissionalizantes, do atendimento aos necessitados, das parcerias com a prefeitura, o Estado, o Governo Federal e a iniciativa privada, a igreja também possui um intenso calendário cultural que, diferente de outras que utilizam somente as datas cristãs para promover seus musicais, abre o espaço de seu imenso palco a uma programação intensa que contempla todos os estilos de música” (Jorge Camargo, p. 136). “A Igreja deve ser um catalisador cultural, aproveitando seus espaços físicos – na maioria das vezes bem localizados nos bairros da cidade e ociosos em boa parte do tempo – para criar locais permanentes de fomentação cultural” (Romero Fonseca, p. 106). “Em primeiro lugar, proponho que a Igreja evangélica brasileira transforme os templos, durante a semana, em centros culturais, onde haja escolas de música e outras artes, apresentações artísticas e um espaço de debate e oficinas a respeito de questões do cotidiano social-político-econômico da comunidade local” (Sérgio Pereira, p. 130). Algumas semanas atrás uma notícia do jornal “O Globo” mostrou que esse sonho não estava tão distante. O evento “Terça de Graça” é organizado pelo músico Fernando Merlino e pela Comunidade Presbiteriana Libertas. Já foram 100 shows, com gente como Wanda Sá, Tunai e Roberto Menescal (veja cartaz abaixo). Muitas foram as críticas após a publicação de uma reportagem do “Terça de Graça”. Uma delas questionou o uso do púlpito de uma igreja para fins políticos e artísticos. Concordamos plenamente que o espaço do culto não deva ser usado para propaganda político-partidária. O púlpito, particularmente no espaço do culto, deve ser usado para fins espirituais. No entanto, não devemos perder de vista o caráter horizontal de ser Igreja. Sua vocação é sim vertical como lugar de fé, oferenda de amor e compromisso com Deus. No entanto, a vida em sua dimensão horizontal é igualmente sagrada. Esse pensamento é um dos maiores legados da mensagem cristã. Daí pensarmos que o espaço do templo é sim espaço de expressão de valores e de conteúdos humanos: política, no sentido mais amplo da palavra, e serviço ao próximo e a tudo que promova e gere vida. E arte. Aliás, na história, arte e espiritualidade nunca estiveram dissociadas. Por isso, continuamos sonhando, assim como escrevemos no “O Livro do Som do Céu”. E o exemplo do “Terça de Graça” reforça ainda mais esse sonho. Nota: Este artigo teve a colaboração de Jorge Camargo (mestre em ciências da religião, intérprete, compositor, músico, poeta e tradutor) e Romero Fonseca (músico e compositor, atuante no grupo Expresso Luz e Essência)

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