Ser SERVO em qualquer lugar.


”O amor apregoado nos evangelhos se constitui na revelação de Deus aos homens, ou seja, em Cristo Jesus, e, por tal modo, deve, então, levar a igreja, eu, você e nós a decidir pela dependência as boas – novas, diga – se de passagem, não como sinônimo de fraqueza, mas sim de submersão ao chamado do discipulado, da confissão e do servir, por onde a Graça não se encontra nos púlpitos;ou seja, na comunhão espiritual movida pela oração, pela adoração e pelo compartilhar.” Ao ler os profetas elencados na bíblia, pude me deparar com a estirpe de Isaías, a contundência de Jeremias, a inspiração de Ezequiel e outros. Agora, um profeta menor me açula e me lança a ser uma voz, ou, ao menos, tento, afiada, regido por um inconformismo, diante das marcas de hipocrisia, de injustiça e iniquidade. Cumpre salientar, esse profeta, ao oposto dos descritos, não trilhou por uma escola de profetas, aparentemente não teve um mentor espiritual e, expressamente, surgiu da realidade crua e nua da sobrevivência, das contingências, da labuta do raiar ao pôr do sol. Vale dizer, sem pompas, sem retóricas persuasivas, sem argumentações e elucubrações a léguas de distância da linguagem do dia – a – dia de um povo esquecido por seus líderes, de uma liderança confluída nas benesses de uma vida afortunada e a custa de um sistema de imputação de cobranças abusivas e desumanas. Lamentavelmente, eis o cenário do profeta Amós, dotado, arrisco dizer, de uma pontuação alfinetada, de um enfoque enfático e sem rodeios, sem meio termo, sem complacência, sem média, sem a intenção de lograr divisas. Deveras, Amós, um boiadeiro se apresenta perante uma elite de políticos, de doutores, de mestres e de vertentes dominantes a efeito de apresentar o diagnóstico de um culto espúrio, ignominioso, abjetável e infame a Deus; de uma leitura da Torá, para boi dormir; de um soterrar do Deus que sempre exigiu e exige do seu povo – ”a justiça, o respeito aos povos estrangeiros, o amparo e aparto aos orfãos, as viúvas e aos marginalizados”. Tetricamente, nada disso podia ser notado, na época desse Profeta andarilho, um eco itinerante pelas ruas de Jerusalém e Judá, ao qual provocava calafrios no Reio Jeroboão. Nada escapava de uma abordagem na ponta da lingua. As festas suntuosas! As pretensas conquistas! As oferendas imbuídas de insensatez! Não para por aqui, Amós pode ser visto como o profeta sem indumentárias, sem títulos, sem recomendações, sem papa na língua, sem dever nada a ninguém, sem estar conluiado com interesses escusos e mesquinhos para assumir o poder. Nota – se também, Amós esperta o pressagio do Deus da cidadania, do dever de cada um de nós pela vida, pelo próximo e por uma espiritualidade que nos torna livres para decidir e de maneira responsável. Para não perder a praxe das articulações dos seus contestadores, Amós recebeu a indagação de não ser merecedor de respectivo cargo; entretanto, não havia nele o escopo de conseguir uma pasta no sinédrio, um ministério no reinado, um suborno para fazer seu pé de meia. Sinceramente, Amós espelha as confissões de um servo fora do templo. Aqui falo do templo de discussões e retóricas sem o pulsar das aflições do homem da rua, sem a atenção para os hostilizados e oprimidos, sem a inclinação para os sedentos de paz, de justiça e de alegria. De certa forma, Amós serpenteia as maracutaias dos caudilhos ditatoriais de uma eleite espiritual indiferente aos coxos nas escadarias, as mulheres apedrejadas (enquanto o parceiro adúltero saia ileso e numa boa), aos semelhantes coisificados (tratados como moedas de troca) e por ai vai. Nitida e notoriamente, Amós, caso estivesse, em nosso contexto sociopolítico, com suas conjunturas, a princípio, poderia ser visto como marxista, um pós – liberal, um humanista convicto, um apologista em prol de uma teocracia como unissona alternativa de salva a humanidade. Acredito, piamente, em direção oposta, Amós seria visto como uma pedra no caminho, principalmente para uma igreja subdividida em miríades de ideologias e desvencilhada de ser a porta – voz do amor ao próximo. O interessante ao analisar a trajetória de Amós, perpassa por conceber não um emaranhado de proposituras, mas um alerta, sem dó nem piedade, e isento de paranóias apocalipticas. Tão somente, narra os meandros da vida como ela é e como os denominados filhos e filhas de Deus devem se portar. Enfim, confissões de um servo fora do templo objetiva revelar aos homens a condição de enfrentar as agruras da vida, com transparência e honestidade, até para recomeçar! Paz e bem

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