O casamento é um organismo vivo.


Vivemos em uma época em que o matrimônio deixou de ser um pacto entre duas pessoas que, motivadas pelo sentimento de amor e ternura uma pela outra, resolvem construir juntas suas vidas, apoiando-se mutuamente e tornando-se a âncora do desenvolvimento da autoestima da outra.

Hoje o modelo do concerto de casamento é muito mais similar a um contrato comercial, no qual os contratantes procuram extrair para si o máximo de vantagens com o mínimo de compromisso, tendo obrigatoriamente aberta a cláusula do rompimento como uma possibilidade, caso o acordo não funcione a contento para qualquer uma das partes.

Em nossa sociedade do divórcio fácil e dos relacionamentos descartáveis, na qual impera a “Lei de Gerson”, falar em uma instituição na qual se pretenda entrar “para o resto da vida” pode ser uma perspectiva assustadora para nossos jovens, cada dia mais imaturos e despreparados para a vida adulta. (Por isso mesmo a cada dia permanecem mais tempo na casa dos pais.)

Entretanto precisamos ensinar a nossos jovens e muitos de nossos adultos que a relação conjugal não pode ser entendida a partir da perspectiva de um contrato comercial. Antes a visão que devemos ter da relação conjugal é a de um “organismo vivo”, que tem em si toda uma dinâmica própria de nascimento, crescimento, amadurecimento e morte, de forma natural, como todo sistema vivente.

Cada etapa do relacionamento tem suas características próprias, bem como as demandas e os conflitos naturais do processo de passagem de uma etapa à outra. Estes, em vez de desestruturarem a relação, devem ser vistos como degraus de crescimento, que nos impulsionam a vivermos de forma mais plena e saudável.

Chamamos este processo de ciclo vital da família. Nas últimas décadas, este processo foi amplamente estudado por pesquisadores e profissionais que trabalham diretamente com o bem-estar da família. Terapeutas familiares, psicólogos e conselheiros matrimoniais nos ensinam que muitas das crises que paralisam os casais no crescimento de sua intimidade são, em última instância, crises de passagem, e que é necessário passar por elas para que haja um crescimento efetivo. É como despir a roupa que ficou apertada na criança que cresceu e vestir outra, mais adequada ao seu momento de vida.

O crescimento é uma lei da vida, ordenada por Deus no primeiro capítulo do primeiro livro da Bíblia: “Sede fecundos, multiplicai-vos” (Gn 1.28). Se um organismo não cresce, ele definha e morre — com o casamento também é assim. Por isso os casais devem constantemente estar atentos às mudanças decorrentes do processo natural desse crescimento.

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Carlos “Catito” Crzybowski.

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