Deixarei que o Senhor seja o condutor da embarcação.


A mudança do tempo foi repentina. A brisa transformou-se em rajadas de vento. A temperatura caiu bruscamente. O mar agitava-se naquele começo de noite. As ondas começaram a crescer rapidamente. A minha experiência concedia-me autoridade para afirmar que seria uma grande tempestade como nunca experimentara. O primeiro pensamento que veio à minha mente era de que talvez não retornasse à terra firme. Lembro-me de que, naquela noite, causou-me admiração a serenidade com que dormia o Mestre. Cansado, sentou-se próximo a popa do barco, descansando sua cabeça sobre um travesseiro emprestado. Ele estava sossegado, como que tivesse todas as coisas ao seu controle. Seria possível ele não ter se apercebido de tal tormenta? Talvez estivesse em sono profundo. Olhei para os demais companheiros, todos pescadores experientes e conhecedores dos sustos das repentinas tempestades naquela região. Crescemos ouvindo histórias dos nossos pais, das tormentas ocorridas naqueles meses. Ouvimos falar de muitos naufrágios e vidas perdidas. Sem dúvida, tornar-nos-íamos figurantes das tragédias contadas de pais para filhos. Alguns barcos próximos ao nosso eram varridos pela colossal tormenta. Em seus interiores, expressões aterrorizadas. As ondas começaram a invadir os barcos, dando a prova cabal da nossa sentença de morte exarada. Um dos companheiros começou desesperadamente retirar o aguaceiro com um balde. Olhei novamente o Mestre. Continuava em seu sono profundo. Não me contive. Com toda delicadeza, que se contrapôs a violência da tempestade, toquei-o em seu ombro esquerdo. Ele abriu seus olhos que miraram diretamente os meus. Sem susto algum, perguntou-me: – O que foi Pedro? – Mestre, estamos quase morrendo devido a tempestade. O final você já sabe. Está tudo escrito. Mas o que foi registrado com tinta nunca vai retratar a forma com que ele ordenou o mar e vento para que se acalmassem. Todos os exércitos e generais da história da humanidade, do passado, presente e futuro, juntos, não poderiam igualar-se a tal poder. As palavras de ordem saídas de seus lábios foram suaves, porém carregadas de autoridade. Em um instante, o vento e o mar obedeceram-no como se fossem duas crianças bem educadas. Neste instante, tive um vislumbre da fé que agrada a Deus: Nunca colocar a minha confiança nos meus sentidos e acreditar que Deus está no controle de tudo mesmo que eu esteja num barquinho de papel em meio à tempestade. Então não tive dúvidas: Aquele pobre e pequeno barco levava o Rei dos céus e mares. O que mais eu poderia temer? Paz e bem

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