É só abrir o coração.

É só abrir o coração e deixar o sol do amor entrar. Há muito sonho no ar, há muita festa no sorriso das crianças e muita beleza no sorriso de todos. Repare ao seu redor e veja o que restou depois da chuva. Veja a relva que cobre o vale, tão verde, tão feliz! Ela agradece a chuva que lhe dá vida, e agradece o sol que lhe dá flor, semente e a faz reproduzir. Todos sorriem gratos à Natureza que tanta beleza traz e reflete tanta paz. É só abrir o coração e deixar o sol do amor entrar. Há motivos sobejos para sorrir. Não obstante, é preciso criar uma linguagem nova, usar palavras otimistas, apagar de vez aquelas frases que só evocam derrotas e criam um clima de pessimismo refletindo um interior desprezível e infeliz. É preciso crescer por dentro, avançar em busca de um novo ideal, plantar a semente da paz e da solidariedade. Chega de confrontos e desavenças, chega de ressentimentos e amarguras. O mundo clama por união e compreensão. Tudo depende de cada um de nós. É preciso trocar os horríveis pesadelos por sonhos azuis, dourados, multicores… É preciso trocar as armas bélicas, que causam tanta destruição e fazem derramar tanto sangue e tantas lágrimas, por alimentos, roupas, remédios… É só abrir o coração e deixar o sol do amor entrar. Veja a sucessão dos dias e das noites, conte as estrelas ou tente contá-las. Você já viu o Cruzeiro do Sul? Você sabia que cada estrela tem um nome? Procure olhar e admirar as estrelas. Isto é, no mínimo, uma boa terapia. O conhecido poeta Olavo Bilac, num de seus sonetos, escreveu que conversava com elas toda noite e as ouvia. O incrível infinito tem muito para nos ensinar. Aproveite esse doce momento e dê uma olha na Lua. Descubra por que ela é tão querida dos namorados e evoca tanto romantismo. Tudo que existe de mais belo foi criado para ser amado e admirado. Não precisa ser poeta para amar e admirar a Natureza. Os dias e as noites se completam. E quando dormimos há Alguém que vela por nós. Experimente viver a “sua vida”. Experimente ser você mesmo. Valorize-se, cresça, acredite mais em si. Ouça e tire as suas próprias conclusões. Não se deixe enganar por ninguém. As coisas, em geral, são bem menos difíceis do que aparentam ser. É só abrir o coração e deixar o sol do amor entrar. Sonhe mais e procure realizar mais. Afinal, as realizações também são sonhos – sonhos materializados, vividos e vivenciados. Ademais, estamos em Setembro, o mês que marca o inicio da Primavera. É só abrir o coração e deixar o sol do amor entrar. Paz e bem Cícero Alvernaz

A felicidade caiu no esquecimento ?

”A igreja tem abdicado de ser um espaço para a cura da realidade humana e, tristemente, tem se tornado num encontro de interesses voltados a atender as demandas de uma cultura do sucesso, ao qual Cruz de Cristo não passa de uma intervenção necessária, diante das contingências e tensões da vida.” Os discursos preponderantes nos denominados âmbitos evangélicos, ou protestantes, ou pentecostais, ou ortodoxos e por ai vai abordam a questão de ser feliz, como uma figura de retórica. Presumidamente, muito embora uma expressão apetecível aos ouvidos, a princípio, mas parece acarretar dissonâncias, principalmente, quando nos deparamos com uma realidade desafeita aos valores inclinados ao próximo, ao ser, a profundidade de nossa existência. Tudo, ao folhear as páginas da pós-modernidade, nos remete a um estado de conformismo, de aceitar as regras do jogo e se há algo sublime no porvir, caberá a cada um viver. Sem sombra de dúvida, o homem sobrepujou e erradicou com as mais diversas inclemências. Aliás, negar as conquistas regidas pelo expoente crescimento do conhecimento e da ciência, seria uma estupidez e um engodo. Mesmo assim, a ganância e a cobiça prosseguem a desaguar a sandice de sistemas políticos despóticos que anulam os opositores, com armas químicas e outras atrocidades. Evidentemente, as articulações engendradas pela mantença da influência mundial ou da geopolítica dão um verniz de um pretenso humanismo em prol dos vitimados por tais caudilhos ditatoriais. Não por menos, os ecos de insatisfações pulam como pipocas, aqui em nosso país, devido a inserção de recursos avultantes no soerguer de estadios, ao qual, lá no fim de tudo, permanecerão como elefantes brancos. As marcas de impunidade e de uma farra do boi prossegue a infestar as decisões de nossas representantes públicos, caso, mais recentemente, do parlamentar, mormente condenado pelo Supremo Tribunal Federal, não teve sua cassação determinada por seus parceiros, na Câmara Federal. Damos mais alguns toques, a violência se desdobra, em todos os âmbitos sociais e atinge a todos, tanto a brancos quanto a negros, tanto a afortunados quanto a desafortunados. Devo reconhecer, torna – me -ia pedante, chatíssimo, caso desfiasse todo esse vendaval de celeumas. Verdadeiramente, como ser feliz, será ainda possível e essa pergunta não deveria ser enterrada de vez. A guisa essas colocações, ao esmiuçar muitos pensadores da igreja, pouco se nota uma temática sobre ser feliz. De notar, muitos adentram na dimensão evangélica e não vislumbram ser feliz. Vou adiante, não conseguimos acreditar na trajetória de uma relação com o Cristo Ressuscitado feliz, carregamos os fardos de uma alma de culpas e condenações, tentamos compensar nosso passado (com uma esperança que não nos torna mais humanos, mais amigos, mais sensíveis a amizade, mais solidários, mais alinhados pelo amor de renuncia e doação). Lamentavelmente, vivemos numa guerra interminável com nossos rancores e ressentimentos, quando deveríamos aceitar o recomeçar do Senhor, conforme se encontra no Salmo 37.07. Quantas vezes desfiamos anos de nossa vida com discussões vãs, colisões de convicções que não nos levam a lugar nenhum, de atribuir as falanges demoníacas e aos outros todas as mazelas de nossa vida, de conceber nosso irmão como um opositor e etcere. Ora, ser feliz envolve rever as agendas de uma vida cosificada, de não interpretar a relação com o próximo, como uma questão de subjugar e prevalecer, de não fazer do sucesso o ponto cardeal de nossa vida, de não se martirizar (por coisas não conquistadas). É bem verdade, tais palavras são dificieis de serem digeridas e discernidas, basta atentarmos para os princípios mandamentais de uma ética do sucesso, da imagem, de ser reconhecido (independemente da maneira) e aceito. Faz-se pontuar, ser feliz não se constitui em que todos serão a foto do mês, a pessoa do momento, mas conseguem ver a vida, com menos peso. Eis o vrs. 07, descansa no Senhor, ou seja, um estado de equilíbrio interior, pelo qual nos relacionamos com o próximo, com a vida e conosco mesmo. Paz e bem

Mulher, sempre mulher.

Dizem que o dia 8 de março é o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia ela é lembrada e homenageada pela passagem do “seu dia”. Certamente, a mulher merece muito mais do que um dia, mas vamos admitir que 8 de março seja o seu dia. Considerando que o ano de 2013 tem 365 dias, sobram ainda 364 dias vagos no calendário. Eu proponho que esses dias também sejam dedicados á mulher. Creio que agindo assim seremos mais justos e mais coerentes com essa criatura tão importante que é a mulher. O Dia Internacional da Mulher é comemorado em todo o mundo, mas cada um de nós pode homenagea-la de forma pessoal e particular todos os dias sem exceção, dando ênfase a tudo que este ser representa nas nossas vidas. A nossa homenagem vem em forma de abraço, beijo, carinho, respeito, reconhecimento e gratidão. Uma reação espontânea que nos acompanha pela vida afora nos bons e nos maus momentos. A mulher não é apenas mãe no sentido biológico, mas, sobretudo, é protetora, encorajadora, amiga e companheira. A mãe é o seio e o colo que a criança procura, é o porto seguro que o jovem busca para ancorar com segurança seu barco, muitas vezes avariado pelas dúvidas e pelos maus pressentimentos. Onde poderei encontrar abrigo senão nos braços sempre abertos de uma mulher? Hoje, a mulher é muito mais do que uma dona de casa. As imposições e as necessidades do dia a dia a levaram a um tipo de vida muitas vezes cansativo e sacrificial. Para ajudar no orçamento da casa, muitas vezes ela se sujeita a uma jornada diária de oito horas, realizando ás vezes um trabalho que vai além de suas condições físicas. É a mulher guerreira que não se entrega e tudo faz para manter a honra e o bom nome na sociedade. Mulher que trabalha, cuida da casa, dos filhos e ainda encontra um tempinho para divertir e se descontrair. Infelizmente, nem todos reconhecem o valor e o prestígio inerentes a esta heroína. Entretanto, o reconhecimento e a gratidão são virtudes que enobrecem qualquer ser humano. A mulher é um ser privilegiado por Deus. A ela foi dada a honra de ser mãe. A vida se encontra intrinsecamente ligada à mulher. Seu ventre foi o abrigo, a casa, a nossa primeira morada; o lugar onde fomos gerados e crescemos durante nove meses antes de vermos a luz do dia e iniciarmos a nossa caminhada neste mundo. Ela nos deu à luz, nos trouxe para este mundo e, sobretudo, cuidou sempre de nós. Desde os primeiros passos, as primeiras palavras, tudo que fizemos e aprendemos está ligado diretamente á nossa mãe. Podemos dizer, sem medo de errar, que devemos a nossa vida a uma mulher. Foi Deus quem a escolheu para desempenhar tão sublime missão neste mundo. Hoje, a mulher caminha, sorri, chora sente dores e às vezes reclama, mas tem força e ama. Dediquemos á mulher, não apenas um dia, mas cada dia do ano com muito apreço e gratidão numa demonstração de reconhecimento pelo seu valor que muitas vezes as palavras não conseguem expressar. Mulher: mãe, amiga e companheira, que Deus te abençôe hoje e sempre. Receba os meus sinceros parabéns pelo seu dia! Paz e bem

Deus no Octógono ?!

Por Marlon Bruno Foto: Divulgação Muita gente pensa que Deus concede super poder aos novos convertidos, algo como o raio de Zeus para os mortais. “A oração tem poder” é um jargão evangélico arcaico e mais poderoso que a própria oração, pois ao mesmo tempo que é, de fato, apenas um instrumento para invocar os desejos de Deus, nós, através deste provérbio, a transformamos em um “feitiço contra o feiticeiro”, pois a usamos rotineiramente para encurralar Deus no octógono, com o propósito de retirar o cinturão de Sua vontade. Esta queda de braço é antiga, porém se tornou mais tangível com o advento do neopentecostalismo. Determinar a bênção, marcar hora para o milagre e requerer direitos supostamente adquiridos, é, sem margem de erro, se posicionar como quem é superior à divindade invocada, que passa a ser serva e funcionária de quem esfrega a lâmpada. A oração, neste sentido, é um método intelectual para manipular um deusinho bom e submisso. Não os pedidos, mas as imposições realizadas são melhores para quem está do outro lado da linha. Isto acontece por todos os oito lados do octógono espiritual, local onde desafiamos Deus. Mas a verdade é que Ele não se presta, como o gênio da lâmpada, a realizar os nossos desejos e nem está à nossa disposição. A oração é um ato de humildade para se dizer a Deus que nada podemos fazer, que não podemos nem mesmo terminar a mesma oração sem o agir constante dele. “Contudo, não se faça a minha vontade, mas a Tua” [Lc 22.42], foi o que o próprio Jesus disse em angústia e aflição no caminho de sua morte. Apesar do sofrimento efêmero, ele tinha a certeza de que o Pai, dotado de uma eternidade de experiências, conhecia o final derradeiro daquela história, pois era ele mesmo o seu próprio designer. A evidência incontestável é que o Cristo ressuscita ao terceiro dia. Deu certo com Jesus! Sempre dará certo quando agirmos como o mesmo e aprender com ele. A vontade de Jesus era que aquele cálice de sofrimento passasse de fato. E se Deus o atendesse naquele momento? Meus pecados não estariam perdoados e, portanto, este texto nunca seria escrito por mim. Você jamais leria um artigo no qual estivesse a palavra “Deus” em seu título. Portanto, a vontade de Deus é a única coisa à qual devemos identificar e considerar diante do que queremos. Nossa ilusão é pensar que estamos observando uma lógica em nossos projetos, de tal forma que não haverá falhas ou surpresas, de maneira que não precisamos de outra vontade além da nossa, e de modo com que os nossos caminhos e pensamentos fossem maiores que os de Deus [Rm 11.33]. Depois, olhamos para trás, e percebemos que nada poderia ser diferente do que Ele queria. Às vezes, Ele parece demorado e tardio em nos defender [Lc 18.7], mas tal fato é apenas fruto do nosso ponto de vista. O único motivo pelo qual Ele sabe o futuro, não é porque ele é Deus, mas sim pelo fato de que é Ele quem o cria, e que por isso, “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam” [Rm 8:28]. Então apenas ame, chore, peça, clame e se derrame perante a Sua grandeza. Deus não é manipulável, nem convencível, não pode ser usado em nosso favor. Chega de chamá-lo ao octógono para dizer o que deverá ser feito. Você não faria isto com o Anderson Silva, não é mesmo?! ____________________

Armas no quarto do bebê

Desde Descartes e Kant imaginou-se a construção de um planeta novo, ao estilo do Ocidente, ignorando três quartos do planeta não cristão, e exaltou-se até às estrelas a sapiência humana. A história, entretanto, continuamente desfaz essa imagem magnificadora da “razão”, e do conhecimento. Machado de Assis já dizia: “Tem razão quem tem o chicote na mão…” Hoje, professores fazem curso de tiro e buscam certificados para portar armamentos e intimidar seus alunos. O debate sobre as armas de fogo nos Estados Unidos deu uma guinada com a decisão de dezenas de professores de fazer aulas de tiro, depois que outro jovem, em Newtown, Connecticut, pegou as armas da família e matou 27 crianças e adultos e, em seguida, suicidou-se. Seria diferente, se fossem os professores seus matadores? A duras penas, mesmo a contragosto, urge admitir que somos humanos. O ser-humano, homem/mulher, é supercomplexo. Comparece na história como “homo sapiens”, mas somos mais conhecidos como “homo demens”, disse Edgar Morin. Há duzentos mil anos, já falante, o ser humano fazia das suas. Societário e trabalhador, desde quarenta mil anos atrás, já inventava a posse privada e a escravidão, das quais nunca nos livramos. Em “Uma Odisseia no Espaço”, Stanley Kubrich mostra a era em que homens primitivos descobriram o uso da arma para matar e garantir a propriedade particular. Quando descobriremos que também somos portadores de afeto, cuidado, solidariedade, tolerância, inteligência, criatividade, arte, poesia e êxtase diante da beleza e compromisso com a vida? No lapso otimista do gênero ocuparíamos todo o Planeta, já sairíamos dele voando e rumando para o céu infinito em naves espaciais. Mas nossas contradições fazem-nos morder a língua toda vez que exaltamos essas qualidades humanas, já pensando em exterminar criaturas de outros planetas, se houverem. Não basta o que já fizemos com o Novo Mundo, no holocausto das civilizações pré-colombianas? Lembrando Duns Scotus, na Idade Média: “o homem tem a vocação do infinito”. Mas adotamos a violência e o privatismo capitalista, e nos comprometemos com os assassinos de crianças, consentindo e entregando-nos naturalmente ao abreviamento de suas vidas. O lado da demência, da crueldade, dos massacres, dos extermínios em massa, de tantas culturas, etnias, acompanha a demolição de valores construídos em vários milhares de anos. E parece que se quer fazer tudo isso de uma vez, com a tecnologia avançada dos dias de hoje. Nossa arrogância faz-nos esquecer de que só no século 20 foram chacinados em guerras 200 milhões de pessoas, lembrava Hobsbawn. Cristãos estão envolvidos nisso até o pescoço, mesmo os engravatados dos conselhos internacionais, ou com “clergyman” abençoando armamentos e tanques de guerra. A violência humana excede à de qualquer outra espécie, inclusive dos tiranossauros, dragões pré-históricos proverbiais e simbólicos da destrutividade. A demência não é ocasional. Configura uma desordem originária. Não é por acaso que vemos no nosso irmão um inimigo, e nos armamos até os dentes para derrotá-lo. Caim com a palavra. Ninguém, contudo, conheceu melhor o sentido de gerar-se um Salvador. Maria cria e alimenta a criança, enquanto medita, ensina a humildade e a coragem para os enfrentamentos dos acontecimentos catastróficos e a dissolução que irrompem até a superfície da história. Maria já estava comprometida com o movimento em prol das causas libertadoras de Deus, desde que o menino era gerado em seu ventre, protegendo-o. Entre elas o combate à violência sistêmica que escolhe a criança e os jovens como vítimas preferenciais, porque são fracos e indefesos (… “ele será o Príncipe da Paz, mas Herodes quer exterminá-lo”). São os adultos que portam armas, matam ou induzem a matar. Para que servem armas, senão para isso? E não foi Herodes que as inventou. O que precisa ser visto, e ouvido, como Maria nos ensinará, quando Jesus, o menino perseguido desde o berço, lhe chama a atenção para a realidade. Maria conservava todas aquelas coisas em seu coração (Lc 2.41-52). Aqui, nos reportaremos à sabedoria da mãe que silencia e ouve enquanto observa as realidades que cercam o menino sobrevivente do massacre na Natalidade. Os significados da revelação libertadora da presença do Reino de Deus estão naquele que foi chamado pelo Credo Cristão de “fruto do ventre de Maria”. Se nascido hoje, já enfrentaria tiroteios, balas perdidas e criaturas que aprenderam as lições da sociedade violenta. Tragédia na rotina de uma escola da periferia do Rio de Janeiro onde um ex-aluno, aprendiz da violência, atirou contra crianças que assistiam às primeiras aulas do dia, matou 12 delas, feriu outras 13 antes de cometer suicídio, acompanha a tendência herodiana estimulada pela mídia, que torna o fato um espetáculo inescrupuloso nos detalhes, sem explicar as origens da pulsão da violência potencializada por ela mesma. O massacre causou comoção no Brasil. E professores pensam em fazer aulas de tiro. Recomeçará o ciclo interminável da violência incontrolável dentro das escolas. A quebra de tabus é verdadeira, mas o esquecimento dos fatos simbólicos que marcam nosso tempo, o modismo da falsa liberdade, democracia para matar, pulverização de ideais que transformariam as sociedades e as pessoas em verdadeiros seres humanos e comunidades solidárias, dão o tom banal da presença da morte na orquestração desafinada mostrada no cotidiano. O ritmo desconexo do nosso tempo é capaz de defender armas, serpentinas nos muros, cercas eletrificadas, vigília eletrônica em residências – e até nos banheiros das escolas –, em suspeita permanente sobre as intenções dos nossos filhos e netos. Nunca entrarei numa casa dessas, a não ser para desligar a eletricidade e ajudar a recolher as armas… Faz pouco tempo, houve o plebiscito para se proibir o uso comum de armamentos. Refletindo a violenta sociedade brasileira, teve um retumbante “não” da população. Defensores de armas e armamentos em casa, na escola, no trabalho, ignoram que uma pessoa morre a cada minuto como resultado da violência armada, e que não bastam convenções para evitar que armas negociadas ilicitamente apareçam em zonas de conflito e alimentem guerras e atrocidades. Como essa medida alcançará os lares das frequentes vítimas, residências tornadas em fortaleza e casa de armamentos? Quartos de bebês terão armas, no futuro, se a violência continuar em ascensão, à custa do uso “democrático” das armas. Tirar armas de delinquentes e deixá-las nas mãos de “cidadãos de bem” não apagará o sinal de Caim (Gn 4.11-15) nas testas dos violentos habituais. Mesmo os que vão às urnas dos plebiscitos hipocritamente democráticos. O ano de 2012 não foi diferente. Infeliz ano velho! Derval Dasilio

Empunhe a BANDEIRA DO AMOR.

Sabemos o quanto é dificil, mas não impossivel, só não podemos é ficar de braços cruzados, ou colocando a culpa de todo este desencontro em que vivemos no nosso Pai, mãe, vizinho, escola, trabalho, igreja, etc..queremos sempre eleger um culpado para nossos fracasos, e o maior fracaso que hoje acontece em nossa humanidade, ( se é que podemos chamar de humanidade o que somos e vivemos nos dias de hoje ) porque não começarmos um Ano Novo, não tentando, mas tomando atitudes para que o nosso covivio familar seja melhor, a nossa comunidade seja melhor, o nosso bairro seja melhor, nossa cidade seja melhor, nosso estado seja melhor, e ao terminar de montar este quebra cabeças iremos visualizar e viver um pais melhor. Devem esta perguntando ou divagando a minha inocente utopia, mas é mais simples do que imaginamos. É só levantar a BANDEIRA DO AMOR, nas franteiras de nossos corações, que não mais viveremos estas situações….Se a violência fosse uma pessoa certamente estaria sendo entrevistada em todos os meios de comunicação e sendo alvo da atenção de milhões de pessoas. Nunca se falou tanta em violência e nunca se fez tão pouco para combater este mal tão nefasto e tão contundente como em nossos dias. Os meios de comunicação falam muito sobre ela, e todos os dias registram a sua atuação em todas as camadas sociais. Falar da violência é audiência garantida em todos os meios de comunicação. Este canto diuturno soa como uma balada mórbida e infernal aos ouvidos de uma população desprotegida, carente e só. A violência vive o seu apogeu neste novo século com direito ás primeiras cadeiras no teatro da vida. Ela vem falante e glamourosa, atraindo olhares e holofotes, desfilando na passarela com sua presença sempre marcante. A violência, rainha ou bruxa, está presente nas escolas sentada nas cadeiras, levando ao desespero professores, pais, alunos, diretores e funcionários. Ela se levanta e age em questão de segundos, colocando em polvorosa toda uma cidade e todo um país. É preciso evita-la, é preciso combate-la, é preciso, sobretudo, enfrenta-la! Não adianta dissimular, não adianta ignorar, e nem dizer (como dizem os políticos), que são fatos isolados e estão todos sob controle. Outrossim, não devemos supervalorizar esta “deusa dos tempos modernos”, que hoje é manchete em todos os jornais e presença indispensável na maioria dos programas de televisão. A violência deve ser combatida sempre – de preferência sem muito comentário e sem alarde. Hoje, infelizmente, se faz exatamente o contrário. Certamente há mais pessoas interessadas em comentários e audiência do que propriamente em combater a violência. Daí todas esta importância que hoje se dá a este cancer social. Como conviver com toda esta bateria de informações, muitas vezes desencontradas? Noticias são plantadas para atender a interesses e prender a atenção do telespectador. Programas vespertinos como: Cidade Alerta e Brasil Urgente são especialistas em propagar a violência á caça de mais audiência. Os jornais televisivos também destacam e ampliam a violência através de seus muitos recursos. A violência é alardeada e entronizada por muitos com claro objetivo de impressionar e prender o telespectador e assim faturar alto em cima da desgraça alheia. Até quando a violência vai receber este tratamento e vai continuar posando soberana como se fosse algo natural e familiar? É preciso fechar o quanto antes a indústria da violência e lhe dar o tratamento que ela merece. Com a palavra, os nossos governantes e a sociedade em geral. Paz e bem

Feliz 2013 sem tirar DEUS de cena

Quando as universidades de Oxford, na Inglaterra, de Paris, na França e de Bologna, na Itália, foram fundadas no século 12, a teologia era tida como a rainha das sete ciências ali estudadas. A relevância de Deus foi perdendo terreno progressivamente. A começar com o advento do Iluminismo e seus expoentes, como Voltaire, Jean-Jacques Rousseau e Immanuel Kant, todos do século 18. Eles não chegaram a negar a existência de Deus, mas abraçaram o deísmo – “a crença num Deus que, como um grande relojoeiro, criou um universo mecânico, deu-lhe corda e depois o deixou entregue à própria sorte, permitindo que trabalhasse de acordo com as leis naturais sem jamais nele intervir” (Tim Dowley). Nessa chamada “Era da Razão”, os intelectuais europeus estabeleceram a razão como árbitro derradeiro de todos os assuntos, desbancando a Bíblia e a doutrina cristã. A fé se enfraquecia e a razão se fortalecia. Mais tarde, no século seguinte, William Gladstone, várias vezes primeiro ministro inglês, diria que essa perda da fé religiosa era “a mais indizível calamidade que poderia abater-se sobre um homem ou sobre a nação”. Eugene Peterson, autor da mais recente paráfrase da Bíblia, afirma categoricamente: “Se tirarmos Deus de cena, substituindo-o por nosso próprio autorretrato cruamente delineado, trocaremos a aspiração em ambição e acabaremos nos tornando arrogantes”. Ele diz ainda que “ser cristão significa aceitar Deus como nosso Criador e Redentor”, pois Deus “é a realidade central de toda a nossa existência”. A verdade é que, mais cedo ou mais tarde, tudo vai desmoronar ao redor de quem tira Deus de cena. E para sabermos bem o que é desmoronamento – queda dramática de algo construído –, basta que nos lembremos do desmoronamento da imponente estátua de Nabucodonosor. Ela foi derrubada, despedaçada e tornada pó – pó que o vento levou sem deixar nenhum sinal (Dn 2.31-35). Outro exemplo bem mais dramático é o desmoronamento dos dois edifícios mais altos do “World Trade Center”, em Nova York, ambos com 110 andares, que caíram em menos de 100 minutos, matando quase 3 mil pessoas (entre elas 658 funcionários de uma única empresa). Quando Deus é colocado fora de cena: • Perde-se o rumo e perguntas cruciais – quem sou? De onde vim? para onde vou? – ficam sem resposta. • A vida termina com a morte somatopsíquica e não se pode ter a menor esperança para o além-túmulo. • Jogam-se fora todas as esperanças cristãs até então acumuladas e guardadas, como a ressurreição dos mortos, a morte da morte, a extinção do pecado, o reino de justiça e paz pelo qual sempre ansiamos, a plenitude da glória de Deus e o advento de novos céus e nova terra. • Tudo aquilo que sempre teve valor e era tratado com respeito é desprezado: a Bíblia como a Palavra de Deus, o batismo, a Santa Ceia, o Natal, a Semana da Paixão, a confissão, o perdão de pecados. • Perde-se o paradigma de comportamento baseado no Decálogo e nas Escrituras, que prevê o relacionamento da criatura com o Criador, com a criatura e com a criação. Se neste 2013, que desponta com o nascer do sol do dia primeiro de janeiro, continuarmos a colocar Deus fora de cena, estaremos dando mais alguns passos em direção ao inevitável desmoronamento de tudo que nos cerca. Só então reconheceremos que tudo aquilo que inventamos para compensar a ausência de Deus era como cisternas tão furadas que pareciam verdadeiras peneiras (Jr. 2.13). Quem sabe, tomaremos a decisão de viver 2013 sem tirar Deus de cena! Nota: Artigo publicado na seção “Abertura” da revista Ultimato nº 340 (janeiro-fevereiro/2013) Paz e bem