O que sou ?

‘’Ser discípulo traz a decisão por atos e atitudes práticas, diante das alternâncias da vida; em direção oposta, ser multidão, ou, melhor dito, diluído nela, não passa de fazer parte de experiências momentâneas. ’’ O encontro das palavras ditas por Jesus, com relação aos discípulos, estabelece uma autêntica revolução interna e externa, manifestada por meio de atos e atitudes. Sem nenhuma margem de dúvida, segue – me! Nada mais, nada menos, nada diferente, nada contrário! Simplesmente, eis um comando imperativo, categórico, específico, objetivo e claro. Aliás, segue – me, sem uma cartilha de condutas morais e éticas, de um ideal de humanidade, de antídotos para desmoronar com as hemorragias da sociedade, com as criminosas desigualdades entre as pessoas, com a escassez de esperança e dignidade pela vida. Nessa trajetória, tudo parece suspenso. A aplicabilidade da torá com uma nova interpretação e enfoque ou a remodelação do denominado velho testamento. Para muitos, um subversivo das tradições cristalizadas e soerguidas, durante séculos de sangue e morticínios; um fanfarrão e aproveitador do vácuo vivenciado pelos desafortunados de pão e água, de sentido e destino, de sonhos e sorrisos, de criatividade e liberdade; um megalomaníaco messiânico, dentre tantos outros, disposto a levar multidões para malogros e suicídios coletivos. Mesmo assim, quem ousar vasculhar no seu baú, não encontrará princípios e preceitos mandamentais de faça isso, aquilo e acolá. Agora, o seu comando assusta, lança as propostas de um risco, abre as portas para descobertas e torna sem efeito toda e qualquer previsibilidade. Em outras palavras, siga – me, venha após, ao meu lado, atrás e haja, através de decisões e não se atrela a princípios do certo e do errado. Ora, valho – me da palavra catequismo, em função de manusear também a nossa visão de incutir todo um ciclo de regras e regramentos, ao quais culminará num sobrenaturalismo que coloca Deus acima de nós ou num naturalismo que o concebe como parte de uma energia positiva. Tristemente, ainda creditamos na vertente do catequismo eclesiástico, por onde uns repetem e outros são compelidos a engolir. Tudo, lá no fundo, muito embora nos vitrais, nos ornamentos, nas nomenclaturas, nas hierarquias eclesiásticas pareça agradável, na tresloucada realidade diária, parece um antídoto inócuo, sem efeito e eficácia. Quantos não foram acoçados para ir a direção do Cristo Ressuscitado e ao por os pés no mar, somente, se depararam com uma infinidade de ideias e ideais. Por tal modo, afundaram e acabaram tragados pelas decepções de expectativas irreais. De notar, o discipulado nos chama para ir, decidir e sem titubear participar de uma convivência intensa e reveladora, com o Cristo Ressuscitado. Lamentavelmente, derramamos nossas considerações parcas, quando não nunca ocorridas, sobre a certeza da Graça do Cristo Ressuscitado. Valem dizer, os catequismos são prodigiosos na constituição de apologistas, de articuladores das mais intricadas teorias e teses teológicas, de feitos e efeitos inexplicáveis, de pintar quadros convidativos de um Messias adequado as massas de consumidores de ilusões; entretanto, não descem as escadarias para ouvir e falar, segundo a revelação – viva, sobre a batuta do Cristo Ressuscitado; não aceita ser parte desse seguir, desse ir atrás, desse ir após e partilhar e participar do compartilhar. Não bastassem todos os malefícios do catequismo, há ainda o ímpeto e as histerias coletivas das multidões, pelo qual cada um se amolda a uma aparente imagem de fé, mas tudo não passa de um ajuntamento de esperanças e verdades arruinadas. Tanto no catequismo quanto na multidão, ninguém se compromete e muito menos assume o compromisso pelo próximo, pela vida e por si mesmo, num elo contínuo do amor a si mesmo, ao próximo e ao Criador. Destarte, deveríamos perguntar: – Sigo o discipulado? – Sou adepto do catequismo ou da multidão? Negar seria uma temeridade, o discipulado nos invade e faz com que a salvação venha para fora, justificados e remidos, aceitos e incluídos nos itinerários do Cristo Ressuscitado, por onde toda e qualquer existência falida pode ser livre. É bem verdade, o discipulado desintegra os altares dos predestinados, dos escolhidos, dos melhores e dos piores, dos bons e dos maus, dos justos e dos prevaricadores. Indiscutivelmente, o discipulado tem os olhos para a convivência prática e simples da vida, do café na padaria, da tarde de sábado, do boliche, dos parabéns para você, do abraço, do alento, do bom dia, das lembranças concretas e por ai vai. Vamos além, o discipulado vai ao outro e propõe ser próximo, amigo, companheiro e irmão. Por fim, somos discípulos, ministros catequizadores de ideologias teocráticas, enfileirados na multidão de conformados? Paz e bem

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Amar a quem não me ama.

Eu estaria mentindo se dissesse que depois que me tornei cristã nunca mais tive problemas, desamores, desilusões, que nunca mais experimentei traições. Estaria mentindo se dissesse que as instituições cristãs melhores ou mais nobres do que as não cristãs. Estaria mentindo se dissesse que de dentro do seu círculo de amigos e irmãos mais próximos você não precisa esperar facadas nas costas, abraços falsos, ou simplesmente distâncias doloridas e inexplicáveis. Nestes anos todos de campo missionário pude conviver com o que há de melhor e mais nobre na natureza humana. Vi e vivi o auto-sacrifício, o despojamento, o amor de entregar a vida uns pelos outros. Mas vi também o que há de ruim, de sórdido e de mais mesquinho. Vi egoísmo, batalhas de poder, amarguras marcadas a fogo em corações, armas de guerra religiosa lustradas constantemente por teologias falsas, desamor puro e simples. Na minha própria jornada, apesar das decepções pessoais vivi o engano de achar que tudo estava perdoado. Quando pregava ou ouvia sobre o perdão, pensava: “Ah sou catedrática nisto! Perdoei a todos o que me feriram…” Tive até a oportunidade de fazer o “bem” a irmãos que não me foram tão honestos. Me sentia orgulhosa: “Esta área não é problema pra mim”. Foi quando alguém me perguntou: – Você ora pelos que te feriram? E se ora, ora como? Não oro, tive que admitir. Tenho coisas mais importantes pra fazer, me enganei. Mas a misericórdia do Senhor não me deixou. – O que é mais importante Braulia do que amar quem não te ama? Se leio a Bíblia direito tenho que admitir que não existe nada mais básico, mais fundamental na fé cristã. Se queremos habitar n’Ele, compartilhar da natureza de amor de Deus a primeira coisa que temos que fazer é aprender a amar. Não sabemos amar, assim como não sabemos muita coisa na nossa vida de fé. A fé é um aprendizado racional do se “ser como Deus.” – Como aprender a viver sua natureza meu Senhor? – “Aprenda a amar. Foi assim que comecei como um sedentário fazendo exercício físico pela primeira vez: – Quero orar pelo Fulano, Senhor. Abençoe-o. Mas se abençoar significa encher de graça de amor, de provisão financeira, se significa desejar para ele a mesma felicidade que desejo para mim e para os que amo, ah então não sei não… A palavra: abençoe – se enrosca, se torna pesada. O que meu coração deseja é “justiça” mas não na definição divina, vertical que nos chega através da misericórdia. Quero a “justiça” entre aspas, melhor traduzida como vingança. Quero árvores secas, alforges vazios, quero para eles a solidão que me assolapa, quero o mesmo fracasso que me faz chorar amargo. Meu estado interior se revela a mim como o de Isaías se revelou a ele diante do trono de Deus. Como minha fé é pequena, limitada, egoísta, empapelada de desculpas bíblicas para odiar, para me vingar, para excluir, para isolar. Choro agora, não por eles, mas por mim. Como este Deus vai me perdoar? E se Ele resolver cumprir sua palavra e perdoar-me apenas na proporção com que eu perdôo? Recomeço, insistente. Para orar pelo que não me ama, tenho que primeiro desenterrá-lo. Me lembro de um conto de Patricia Highsmith que li quando criança: Estranhas mortes na Repartição. O homenzinho trabalhava num escritório do governo, era excêntrico e cobrava das pessoas uma perfeição que tornava impossível a interação social. Terminou por matar uma a uma com requintes de crueldade as pessoas que o cercavam. Mas a autora nos revela que os assassinatos não são reais. O homenzinho se cerca de mortos porque não pode conviver com os vivos. Orar por meus “mortos” me obrigou a desenterra-los, um a um, com as mãos, sentindo-lhes o cheiro, tocando-lhes a carne. Qdo os desenterro, os coloco de pé, a meu lado e ando com eles até onde Deus está. Ressurretos meus mortos me vigiam. Não é fácil sentir-lhes vivos ali comigo, ouvir-lhes o coração, as rever suas dores, tornar-me uma com eles na oração desejando-lhes o mesmo bem que o Senhor lhes deseja. Ah Senhor, não sei orar. Tento de novo e as palavras vem, esparsas, gastas, clichés religiosos viciados. E o Senhor me diz: “Não, não é assim que você ora minha filha. Onde está sua paixão, sua intensidade, onde está seu coração íntegro? Oração pela metade não dá. Oração en passant também não funciona. Quando eu levantar a minha mão para encher o outro de bênçãos de amor, quero o seu regozijo sincero. Quero que você se veja como participante daquele momento. Eu vou abençoá-los porque você orou por eles.” Enfim a oração flui. Honesta. Não são mais os mortos, não são eles, é uma parte mim que ressurge. Volta a vida o meu amor enterrado, a minha esperança, o meu centro. Enfim as lágrimas não são mais amargas e duras. Me alinhei com ele. Posso orar pelo “inimigo”. Posso visualizá-lo recebendo carinhos do Pai de amor, inundado de bondade. Aconteceu o milagre da fé. Voltei a me encontrar em seu amor. Voltei a participar de sua natureza de amor. Até o próximo tropeço no meu egoísmo. Texto Publicado pela revista Olhar Cristão/Agosto 2013

Meu PAI.

No Reino de Deus muitas coisas andam de mãos dadas. Há duas, em particular, que creio que estão intimamente relacionadas: a graça de Deus e sua paternidade. No Antigo Testamento, Deus não havia sido revelado como Pai, apenas como Deus. Jesus era o único filho e quando veio à terra, trouxe a revelação de Deus como Pai e nos permitiu sermos filhos desse mesmo Pai. Quando Jesus apareceu a Maria Madalena após sua ressurreição, ele disse a ela: “vai a meus irmãos e diz-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20.17). Jesus também veio revelar a graça de Deus a toda humanidade. João, o discípulo amado, nos disse que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai” (João 1.14) e, “a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo” (v. 17). Ser filho de Deus não é algo que simplesmente entendemos pela razão. É uma verdade revelada a nós. Da mesma forma, a graça. Ela nos é revelada por Jesus, através do seu Espírito, ao nosso coração. O apóstolo Paulo nos disse: “porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gálatas 4.6) e também, “mas recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai” (Romanos 8.15). Creio que há uma íntima relação entre a nossa compreensão de Deus como Pai e nossa compreensão da sua graça. Noutras palavras, eu consigo ver a Deus verdadeiramente como Pai, à medida que vou conhecendo sua graça e, da mesma forma, consigo compreender e conhecer a graça de Deus, à medida que me relaciono com ele como meu Pai. Para alguns, isso soa mais difícil, porque associam Deus à imagem de seu pai terreno, que pode ter sido alguém ausente, ou muito cruel, ou alcoólatra, ou indiferente ou até mesmo um ser totalmente desconhecido. Mas é o Espírito Santo quem clama dentro de nós: “Aba, Pai!” E esse mesmo Espírito é poderoso para curar qualquer ferida, ausência ou desamparo por parte do pai terreno e nos fazer olhar para Deus como um Pai perfeito, que jamais abandona seus filhos, que nos ama de verdade e que cuida de nós. Assim, vamos conhecendo seu amor e sua graça como nunca conhecemos antes e nossa fé vai crescendo e amadurecendo. Por: Alberto Redondo. Paz e bem

Seja feito a sua vontade e não a nossa.

Venha teu reino; seja feita nossa vontade… “E partiram indo habitar em Gerute-Quimã, que está perto de Belém, para dali irem e entrarem no Egito, por causa dos caldeus; porque os temiam, por ter Ismael, filho de Netanias, matado a Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei de Babilônia tinha feito governador sobre a terra.” Jr 41; 17 e 18 Israel fora levado cativo para Babilônia; entre os remanescentes, colonos, soldados; certo Ismael assassinara ao rei vassalo Gedalias, que Nabucodonosor constituíra para dar contas aos Caldeus dos assuntos da terra. Mesmo Jeremias estando preso fora solto por um capitão caldeu, e ficara entre o povo que agora, olhava para o Egito como lugar seguro temendo a represália Babilônica por causa do assassinato. Mas, antes de fugir decidiram consultar a Vontade de Deus mediante ele. “…roga ao Senhor teu Deus, por nós e por todo este remanescente; porque de muitos restamos uns poucos, como nos vêem os teus olhos; para que o Senhor teu Deus nos ensine o caminho por onde havemos de andar e aquilo que havemos de fazer.” 42; 2 e 3 Aparentemente, uma sábia postura, até por que se dispuseram a obedecer qualquer que fosse a diretriz; “Seja ela boa, ou seja má, à voz do Senhor nosso Deus, a quem te enviamos, obedeceremos, para que nos suceda bem, obedecendo à voz do Senhor nosso Deus.” V 6 Seria blasfemo supor que a Vontade de Deus em algum momento seja má, em si; pois, mesmo quando nos corrige tem nosso bem como alvo. “… para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável Vontade de Deus” Rm 12; 2 Então, parece lógico entender que uma vontade “má” equivaleria a algo difícil, contrário à inclinação humana. Bem, o profeta orou, e após dez dias o Senhor respondeu. Como os líderes temiam, a Vontade do Eterno foi mesmo “má”; “Não temais o rei de Babilônia, a quem vós temeis; não o temais, diz o Senhor, porque eu sou convosco, para vos salvar e para vos livrar da sua mão. E vos concederei misericórdia, para que ele tenha misericórdia de vós, e vos faça voltar à vossa terra.” Vs 11 e 12 De tal forma que “concluíram” que nem era Deus, devia ser uma invenção do “subornável” profeta. “Então falaram Azarias, filho de Hosaías, e Joanã, filho de Careá, e todos os homens soberbos, dizendo a Jeremias: Tu dizes mentiras; o Senhor nosso Deus não te enviou a dizer: Não entreis no Egito, para ali habitar; mas Baruque, filho de Nerias, te incita contra nós, para entregar-nos na mão dos caldeus, para nos matarem, ou para nos levarem cativos…” 43; 2 e 3 O fato é que fugiram para o Egito e ainda levaram a Jeremias consigo. Triste quadro do ser humano após o “sereis como Deus”; já não consegue delegar a outro a decisão sobre o bem e o mal, mesmo que esse Outro seja o Criador. O que intriga é a hipocrisia de trair a si mesmo; fazer o que dá na telha, “envernizando” as próprias escolhas como “Vontade de Deus”. O Santo havia prometido proteção ficando na terra, e ameaçado desdita mesmo no Egito; Insistiram e foram; e a espada babilônica que temiam os alcançou mesmo lá. Talvez essa perfídia auto aplicada seja uma espécie de plano B, em face à insegurança íntima de agir de modo próprio; no fundo, saber que é um erro; mas, quando isso ficar patente, atribuir a Deus a culpa. Assim, desejamos mais a reputação cínica de inocentes que agir de modo inculpável. Ora, o mais sábio humano dissera: “Do homem são as preparações do coração, mas do Senhor a resposta da língua. Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito. Confia ao Senhor as tuas obras e teus pensamentos serão estabelecidos.” Pv 16; 1 a 3 Enfim, nosso lugar protegido contra a espada do inimigo é onde Deus se dispõe a guardar; não, onde nos sentimos melhor. Ele limita em Sua Palavra o “Terreno” seguro; “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.” Rom 8; 1 e 2 O mesmo Jeremias advertira contra os logros cardíacos: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jr 17; 9 Enquanto ao mundo parece sábio agir com todo coração, a nós, só será se nosso estiver secundando Deus. “Achei a Davi, filho de Jessé, homem conforme o meu coração, que executará toda a minha vontade.” Atos 13; 22. Paz e bem

Um encontro visual com Senhor.

Em nossa caminhada cristã, cada um de nós tem uma visão a respeito de quem é Deus, uma maneira como o vemos, como cremos que ele é e age. Uma visão que foi formada ao longo dos anos, fruto das experiências da nossa vida, da nossa criação, do ambiente, da cultura, das mensagens que ouvimos e lemos, sejam positivas ou negativas, bíblicas ou não. O profeta Isaías nos falou acerca de uma experiência que ele teve no início do seu ministério, que certamente mudou a história da sua vida (Isaías 6.1-5). Nas palavras do próprio profeta, ele viu o Senhor, e não apenas isso, Isaías o viu com toda a sua glória, assentado no seu trono, alto e sublime. Talvez poucos homens ao longo da história tenham tido uma visão assim. Diante da glória e majestade do Senhor, ninguém pode ficar indiferente e Isaías não ficou. A visão que ele teve o fez reconhecer sua pequenez, sua limitação como ser humano, sua fragilidade e seu pecado. Quando se deu conta de sua situação, foi tocado por um anjo do Senhor e experimentou o perdão que Deus nos dá. Desse ponto em diante, Isaías se relacionava com Deus não mais baseado no conhecimento intelectual, mas na revelação que teve. Todos nós precisamos ver Deus como ele realmente é. Deixe-me explicar. A Palavra nos fala de muitas características de Deus, que ele é amor, é bondoso, misericordioso, perdoador, cheio de graça, justo, verdadeiro, fiel e muito mais. Mas há uma diferença entre saber disso racionalmente e crer nisso de verdade. Em outras palavras, há uma diferença entre crer apenas com a mente e crer com o espírito. Nossa fé tem que estar baseada unicamente no que a Palavra diz sobre Deus. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes somos levados por nossos sentimentos, pelas sensações, pelas circunstâncias ou por pensamentos contrários à Palavra. Até mesmo pregadores podem transmitir mensagens que distorcem a visão a respeito de quem é Deus se basearem suas mensagens em experiências pessoais e não na Palavra. Nosso relacionamento com Deus sempre estará ligado à visão que temos dele, ainda que não tenhamos consciência disso. Por essa razão é tão importante buscarmos a ele, através da Palavra e da oração, desejando conhecê-lo como ele verdadeiramente é. O profeta Oséias nos diz: “Conheçamos o Senhor; esforcemo-nos por conhecê-lo”, e, “Pois desejo misericórdia, e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos.” (Oséias 6.3 e 6) Às vezes nos questionamos por que algumas de nossas orações não são respondidas. Creio que Deus quer primeiro se revelar a nós como ele é, para então nos responder. Do contrário, é bem provável que nossa visão sobre ele continue distorcida. Jó passou por uma experiência difícil, através da qual ele conheceu Deus de uma forma muito mais profunda, pois ele mesmo disse ao final: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.” (Jó 42.5) Não deixemos que uma visão distorcida sobre Deus afete nosso crescimento na fé. A única coisa que pode nos impedir de termos uma visão verdadeira é o pecado. Mas uma vez confessado e perdoado, não há mais barreiras, pois Jesus já pagou o preço por todos os nossos pecados, de uma vez para sempre. Que a oração de Paulo pelos Efésios seja também a nossa, para que possamos: “juntamente com todos os santos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus.” (Efésios 3.18-19) A Deus seja toda a glória! Paz e bem

Por: Alberto Redondo

Deixarei que o Senhor seja o condutor da embarcação.

A mudança do tempo foi repentina. A brisa transformou-se em rajadas de vento. A temperatura caiu bruscamente. O mar agitava-se naquele começo de noite. As ondas começaram a crescer rapidamente. A minha experiência concedia-me autoridade para afirmar que seria uma grande tempestade como nunca experimentara. O primeiro pensamento que veio à minha mente era de que talvez não retornasse à terra firme. Lembro-me de que, naquela noite, causou-me admiração a serenidade com que dormia o Mestre. Cansado, sentou-se próximo a popa do barco, descansando sua cabeça sobre um travesseiro emprestado. Ele estava sossegado, como que tivesse todas as coisas ao seu controle. Seria possível ele não ter se apercebido de tal tormenta? Talvez estivesse em sono profundo. Olhei para os demais companheiros, todos pescadores experientes e conhecedores dos sustos das repentinas tempestades naquela região. Crescemos ouvindo histórias dos nossos pais, das tormentas ocorridas naqueles meses. Ouvimos falar de muitos naufrágios e vidas perdidas. Sem dúvida, tornar-nos-íamos figurantes das tragédias contadas de pais para filhos. Alguns barcos próximos ao nosso eram varridos pela colossal tormenta. Em seus interiores, expressões aterrorizadas. As ondas começaram a invadir os barcos, dando a prova cabal da nossa sentença de morte exarada. Um dos companheiros começou desesperadamente retirar o aguaceiro com um balde. Olhei novamente o Mestre. Continuava em seu sono profundo. Não me contive. Com toda delicadeza, que se contrapôs a violência da tempestade, toquei-o em seu ombro esquerdo. Ele abriu seus olhos que miraram diretamente os meus. Sem susto algum, perguntou-me: – O que foi Pedro? – Mestre, estamos quase morrendo devido a tempestade. O final você já sabe. Está tudo escrito. Mas o que foi registrado com tinta nunca vai retratar a forma com que ele ordenou o mar e vento para que se acalmassem. Todos os exércitos e generais da história da humanidade, do passado, presente e futuro, juntos, não poderiam igualar-se a tal poder. As palavras de ordem saídas de seus lábios foram suaves, porém carregadas de autoridade. Em um instante, o vento e o mar obedeceram-no como se fossem duas crianças bem educadas. Neste instante, tive um vislumbre da fé que agrada a Deus: Nunca colocar a minha confiança nos meus sentidos e acreditar que Deus está no controle de tudo mesmo que eu esteja num barquinho de papel em meio à tempestade. Então não tive dúvidas: Aquele pobre e pequeno barco levava o Rei dos céus e mares. O que mais eu poderia temer? Paz e bem

Ai de mim se não Evangelizar .

A igreja é desafiada e convocada por Deus para proclamar o evangelho do reino durante a sua peregrinação no mundo. Há uma carência e uma sede de Deus no mundo e a responsabilidade da igreja de Cristo é suprir a carência e saciar a sede das pessoas, levando Jesus ao conhecimento de todos (Marcos 16.15). Entendamos que a igreja é o indivíduo, ou seja, eu e você. A igreja não é o templo mas sim as novas criaturas que foram alcançadas pela palavra e se reúnem no templo para adorar. E esse conglomerado de pessoas que se chama igreja tem a missão de ir e proclamar o evangelho do reino a todas as pessoas. A igreja precisa ter um relacionamento com Deus, e esse relacionamento deve refletir no relacionamento com as pessoas. Primeiro a igreja precisa amar a Deus, se esse amor não existir, é impossível existir amor ao próximo. Dessa forma a missão (IDE) está principalmente ligada ao amor. A demonstração desse amor é quando renunciamos ao nosso conforto para promover o conforto de outros, é quando não nos preocupamos apenas com o nosso bem-estar, mas também com o bem-estar dos outros, não apenas na nossa alegria, mas também na alegria dos outros, não apenas com as nossas necessidades, mas ajudar a suprir as necessidades dos outros. Essa é uma característica de uma igreja que cumpre o IDE. A igreja precisa sair das quatro paredes do templo, avançar no resgate dos perdidos, proclamando as boas-novas de salvação, ela deve ser o canal de Deus para transformação da comunidade, promovendo a conservação dos valores morais e éticos que formam uma sociedade nos padrões estabelecidos por Deus. A igreja dever ser relevante na sociedade. O negócio da igreja é gente. A igreja é gente cuidando de gente. Servir aos outros deve ser a motivação central da igreja. O IDE de Jesus implica em sair da inércia, do comodismo e avançar, ir por todo mundo, e o propósito do IDE é pregar o evangelho. Foi concedida à igreja a missão de proclamar as boas novas do reino. Quando ainda não éramos igreja alguém que era igreja se dispôs a cumprir o IDE, e apresentou a nós o evangelho, nos transformado através dele em novas criaturas, em igreja. E nós que agora somos igreja temos a responsabilidade e o dever de demonstrar a nossa gratidão a Deus pela provisão da sua palavra e proclamar as boas novas. O nosso papel não é apenas falar, pregar, anunciar, mas também ensinar. O difícil não é falar, o difícil não é apresentar Cristo, o difícil é fazer com que permaneçam em Cristo. A palavra precisa ser proclamada e ensinada para que seja firmada e promova a transformação do indivíduo, para que ele se torne um membro e fortaleça o Corpo de Cristo, ou seja, se torne igreja. A proclamação da palavra não deve ser apenas no falar, mas principalmente no testemunho. O testemunho da igreja deve ser contundente, incontestável, que promova transformação em quem vê. A igreja deve ser um referencial para a sociedade, um fator diferenciador. Deve ser o sal e a luz. (Mt. 5.13-16). É chamada a fazer a diferença. Na qualidade de discípulos de Jesus, não devemos esconder a verdade que conhecemos. Tudo o que fazemos seja por palavras ou ações, fazemos para a gloria de Deus, (Cl 3.17) isso é a verdadeira igreja. A proclamação do evangelho deve ser feita a todas as pessoas. Esse é o ponto máximo da missão, que considero o mais importante. Nossa missão é ir e pregar a todas as pessoas (At 1.8). É possível alguém sozinho pregar em Jerusalém, Judeia, Samaria e até aos confins da Terra? Sim. Vamos a explicação da resposta: a missão ele é feita indo, orando, e contribuindo. Se eu não posso ir para outro estado ou país, eu posso ir até o meu vizinho, meu parente, meus colegas, meus amigos etc. Dessa forma Jerusalém (nossa cidade) está sendo alcançada. Posso orar e contribuir com os missionários que estão em outras cidades do nosso estado, dessa forma, Judéia (nosso estado) está sendo alcançada, da mesma forma com os missionários de outros estados alcançando Samaria (nosso país), e com os missionários de outras nações alcançando os confins da terra. Assim cada um de nós conseguimos fazer a missão de forma integral. Mas devemos entender que cada um tem um chamado especifico para a obra missionária. Somos chamados a fazer a obra localmente em nosso cotidiano, mas também o chamado para fazer a obra nos confins da terra. Precisamos pedir a Deus que nos mostre o chamado. Não podemos ter medo da resposta. Se temos medo da resposta de Deus para o chamado é porque ainda não somos igreja. Ainda não entendemos a missão. Percebemos então que se somos igreja de verdade, não há como fugir do chamado, da missão, da tarefa que foi designada a nós. A missão está presente em todos os momentos da igreja. O mundo tem sede de Deus, é preciso haver paixão pelas almas para que a igreja cumpra a missão. É tempo de avivamento, de despertamento da igreja para a missão. A seara é grande, os ceifeiros são poucos (Mt 9.37). São poucos os que se dispõem para a obra. Que haja despertamento! Paz e bem