SILENCIAR A COMPULSÃO PELA TECNOLOGIA

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Por alguma razão o metrô havia parado. Suava a bela jovem ao meu lado. Não era o calor; o ar-condicionado ainda seguia em seu afã de soprar. Ansiosa, agarrada a um… espelho? Não, um celular. Grande – friso a desproporção porque não gosto de xeretar a vida dos outros. Ela via a si mesma, numa selfie. Foi aos comentários. Também buscou as “curtidas” da foto. Olhar fixo. “Ei, o trem voltou a andar, não perca a sua estação, OK?” Não parecia que me ouviria. Como outros que vi ao longo daquele dia, na padaria, no restaurante, caminhando pela rua (escapei por pouco daquela topada), cada um publicando algo para que o mundo veja, curta e comente.

Lembro-me de Júlio. O Cortázar e seu conto sobre “o fim do mundo do fim”. Isso acontece toda vez que fico abrumado pela quantidade de informação nas redes sociais, pelo acúmulo de notícias banais, pelas fotos e vídeos sobre tudo, mas principalmente por alguém que se expõe ao mundo. Parece a tal compulsão por buscar algo, um reconhecimento, um prazer, uma curtida, que lhe prestem atenção.

Volto a Júlio. Descreveu o dia em que todos os leitores resolveram ser escribas. Surgiram tantos livros que não mais havia espaço no mundo. Pilhas de livros por todos os lados. Ninguém mais os lia, é verdade, mas todos escreviam. A situação se agravava. Veio o caos – livros foram lançados ao mar. Os escribas se aproximaram de sua extinção. Cortázar narrou esse apocalipse muito antes da internet. Previu o tempo em que todos têm (ou querem ter) algo que dizer, publicar, sobre tudo e sobre nada.
Não soltar a tela, manter-se em comunicação constante em tempo real, sim, pode se transformar em um tipo de idolatria. Pior, em adoração de si mesmo. Também em desejo por algo que nunca leva à satisfação. Exatamente como as cisternas rachadas que cavamos para nós mesmos e que não mais retêm água (Jr 2.13).

Ninguém deve ser ludita que desmereça o potencial para o bem das redes sociais ou de outras tecnologias. Há que entender bem e enfrentar os desafios de cada época e contexto. Uma vez ouvi que o problema dessas modas ou recursos é que eles criam oportunidades que antes não existiam. Assim, se não estou preparado para a “novidade”, então crescem as possibilidades de que minha natureza humana insegura e frágil se agarre de maneira indevida a qualquer nova oportunidade e dela faça mau uso.
Ela, a tal tecnologia, em verdade não é o problema. A responsabilidade é minha – pelo menos sempre deveria ser. Seguramente, também é preciso ser sensível àqueles que sofrem algum tipo de compulsão ligada a esses avanços sedutores e possibilidades infinitas (ou opressoras?) dos gadgets cada vez mais modernos – e caros. Pessoas que precisam de apoio psicoterápico e até mesmo de medicamentos devem ser sempre acolhidas e encorajadas com paciência e sensibilidade.

Também é verdade que muitas outras situações talvez demandem “somente” o desafio de crescer como pessoa madura, em paz consigo mesma e com os demais. Aprender a, como dizia Hans Burki, reduzir, renunciar e simplificar. A redescobrir a beleza e a simplicidade das relações pessoais de carne e osso, dos silêncios cúmplices ao lado de quem a gente ama, sem precisar de qualquer outra tela ou conexão além da sutil e gostosa presença do outro. Desfrutar a paz de se sentir amada por Deus sem precisar fazer algo por isso (Mt 3.17). Esquecer-se ou livrar-se da ilusão de que “Apple” Assíria ou “Android” Egito nos salvarão (Os 14.3; Is 31.1).

Nem precisamos deles. A salvação e o nosso melhor sentido de identidade sempre vêm de Deus. Quer usar melhor o seu celular? Poderia até usá-lo para ler e meditar em algo em sua próxima viagem de ônibus ou metrô. Mas também aprenda a desligá-lo, a silenciá-lo, e a prestar atenção na beleza das vidas que estão ao seu redor. Essa sempre será a melhor conexão.

• Ricardo Wesley Morais Borges é casado com Ruth e pai de Ana Júlia e Carolina. Integra o corpo pastoral da Igreja Metodista Livre da Saúde, em São Paulo, e serve na equipe regional para a América Latina da Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos (CIEE-IFES).

O menino nasceu para vencer a morte…

Nunca desista de sua Familia.

“… O anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35).

“Porque atentou na insignificância de sua serva;/Pois eis que desde agora todas as gerações me chamarão bem-aventurada,/Porque me fez grandes coisas o Poderoso;/ E santo é seu nome./E a sua misericórdia é de geração em geração /Sobre os que o temem. /Com o seu braço agiu valorosamente;/ Dissipou os soberbos no pensamento de seus corações. /Depôs dos tronos os poderosos, E elevou os humildes./Encheu de bens os famintos, /E despediu vazios os ricos./Auxiliou a Israel seu servo,/ Recordando-se da sua misericórdia; /Como falou a nossos pais, Para com Abraão e a sua posteridade, para sempre”.1

Por isso, a festa da Natalidade do Senhor deveria invadir o cotidiano da Igreja, dos homens e das mulheres: O Menino que nasce traz a palavra final de Salvação! Podemos falar da vida que vence a morte. E que a justiça de Deus prevalecerá, será extirpada a injustiça e a violência sobre a face terra. Um novo nascimento para a vida é aguardado, Deus não desistiu, e continua atuando contra o cinismo, aliado da morte de tantos. É assim que Christoph Blumhardt (citando J.Moltmann) fala do renascimento da esperança, mais que nunca, válida na Natalidade do Senhor: “somos gente que protesta contra a morte”, no Natal e em todos os tempos.

Os antigos falavam dos bens da vida, de outra totalidade, na igualdade de direitos para homens e mulheres, no gozo de bem-aventuranças, na via contrária onde a violência transita, na contramão da história da humanidade. Quando um projeto adversário do próprio homem, contra Deus, já se fazia conhecer. O gesto primordial que caracterizou o ser inteligente, solidário, cooperativo, era substituído pela ambição do “homo demens”, oposto à linguagem libertária, corruptora da socialidade, da defesa dos interesses coletivos, enquanto convidava à violência, à dominação e à ganância. Harvey Cox nos lembra, então: “… que a serpente não decida por nós”.

Em Jesus se resgatam as utopias, os grandes valores da vida dos povos, das terras, do universo inteiro, que gemem sob a dor da opressão (Lc 4.16ss). Aos cegos, enfermos, cativos, aprisionados e escravos das ideologias totalitárias, de privilégios, estampam-se os valores da solidariedade, da cooperação, da partilha igualitária, da misericórdia, da compaixão e do cuidado. Herança dos pais abraâmicos e proféticos, segundo as Escrituras, muito depois do grande salto pré-histórico da animalidade comum para a humanização no ambiente onde o homem construiu sua casa (Gn 1 e 2). Essa casa seria acolhedora, abrigo para os que têm fome, os humilhados quando reclamam dignidade, os oprimidos que fogem da exploração ou do bloqueio, impedidos de acesso ao desenvolvimento.

Nasceu o amigo de todos os humanos e do mundo (Jo 3.16), porque Deus se oferece como um nascituro redentor, a todas as criaturas, de maneira real, para que todos creiam que há salvação. Em Jesus se resgatam as utopias, os grandes valores da vida dos povos, das terras, do universo inteiro que geme sob a dor da opressão.

Assim, um homem ou uma mulher, diante da gloriosa criação, abre espaço e lugar à contemplação transcendente a respeito das responsabilidades éticas suscitadas desde os antigos. Contudo, o ser humano dificilmente se reconhece como senhor e como vassalo ao mesmo tempo, malgrado possa contemplar a grandiosidade da missão que lhe cabe.

O sonho da inclusão no projeto de Deus é propriedade de toda a família humana. Está no Menino que nasce para alimentar as utopias de integração das etnias, culturas, caminhos espirituais, na grande cadeia de relações que envolvem a vida sobre a terra. Jesus oferece o diálogo com o ser Profundo, que quer juntar-nos à Fonte da Vida (Lucas 1.48-55). Força e energia capazes de unir todos os que querem o bem uns dos outros, em todos os níveis, na sociedade, na economia, na cooperação, em total solidariedade, que culminará nas bem-aventuranças estendidas, por amor, a todos e ao mundo inteiro.

O Reino anunciado, no poema de Maria, a mulher gestante, na pessoa do nascituro Jesus, superando e projetando-se além das barreiras do tempo, não despreza a sustentabilidade, a tecnologia que dá empregos, no trabalho que construa novas relações; que constrói habitações e amplia a produção de alimentos. O Reino oferece espaço para a produção de bens essenciais, assim como os meios para sua eficiência, no transporte, na saúde e medicina igualitária, educação para o desenvolvimento. No Reino se cultiva a solidariedade irrestrita, a defesa do idoso, da mulher e da criança. Nele temos a antítese da impiedade, da violência, da ganância e disputas por supremacia.

O símbolo deste poema é a “luz” (… para iluminar aos que estão assentados em trevas e na sombra da morte, sob riscos permanentes; a fim de dirigir os nossos pés pelo caminho da paz [Lucas 1.79]). A luz traz vida; a luz traz a salvação, por isso a noite que antecede sua chegada é tão formosa. É dentro dela que se ouve o imperativo: “haja luz e solidariedade”! Por outro lado, a luz é o grande sinal de libertação que o profeta propõe ao povo, em nome de Deus. Deus se entrega aos que ama enquanto sua Luz se derrama sobre a escuridão da opressão. Somos iluminados, podemos vislumbrar a dignidade ferida dos pobres, das “viúvas” e “órfãos” deste mundo, por causa do dom da Graça e da Misericórdia de Deus.

“No mundo dos pobres a solidariedade – a força da acolhida entre homens e mulheres, atinge a todas as pessoas feridas – prejudicadas física, emocional e psicologicamente, por múltiplas experiências de precariedade, carência, solidão, fracasso, frustração, entre outras situações de desesperança” (Elizabeth Salazar). A experiência da Graça é uma experiência de descanso, de repouso em Deus: a Graça é o Deus Salvador conosco, agindo para tornar humana a vida de todos os homens e mulheres2.   Paz e bem

Senhor conceda-me a graça de ser perdão.

”Senhor, ajuda-me a trilhar pelo possível e não me martirizar com relação ao impossível.” ”Possamos ir ao diálogo da comunhão, não com as palavras surdas.” ”O perdão não se dirige a Cruz de Cristo, mas sim parte Dela e alcança seu sentido na relação mútua de uns com os outros.” ”A idéia fundamental do evangelho está e é o amor, porque abre possibilidades para a vida.” ”Não basta, somente, discursos sobre unidade; devemos ir além e desaguá – la em decisões simples e práticas de serviço para que tenha vivacidade.” Poderia me valer das mais diversas desculpas, mas prefiro ficar com a singela e específica – ‘’me perdoe’’ e me ajude a recomeçar. É bem verdade, muitos irão pontuar a subjetividade efetuada na presente frase; agora, mesmo assim, por que não pararmos um pouco, deixarmos as lágrimas escoarem ladeira abaixo, o sorriso aflorescedor irreverente, os gestos de um abraço, de um aperto de mão, de um silêncio (em meio as rupturas do próximo), de um simplesmente ouvir (diante dos nãos de uma derrocada no casamento, de um filho submerso nas drogas, de uma gestação na adolescência, de uma sequidão da fé, de uma vontade chutar tudo para o alto e sei lá mais o que). A cada dia, corremos tresloucados atrás das coqueluches de uma cultura digital, do imediatismo, do faça e cumpra. Isto sem falar de como somos subjugados por uma felicidade de aparências, de máscaras, de interpretações para sermos aceitos e reconhecidos. Não permita nenhum pulsar de humanidade, de trilhar pelas contingências, pelas contradições, pelas oposições e pelas situações não esperadas, conforme o texto de Eclesiastes 03 tece os mosaicos da vida como ela é, com seus dissabores, com suas colisões, com suas partidas e com suas interrupções. Devo admitir, as palavras soadas podem exprimir um conteúdo melancólico e nostálgico; no entanto, em meio ao progresso exponencial do conhecimento humano, dos avanços estabelecidos pela tecnologia, das alterações na expectativa de vida e longevidade, infelizmente, prosseguimos como miniaturas psicológicas e espirituais, somos implacáveis diante dos erros e equívocos do próximo, não aceitamos lançar as pedras no chão e disparamos impetuosamente e extraímos um êxtase pelo sangue esparramado e compondo poças de intolerância, de desdém, de uma perigosa justiça cega e leviana. Tornamo-nos, então, defensores de uma fé orquestrada pelos ídolos do mercado, de líderes personalistas e apregoadores de uma satisfação imediatista, indiferentes com os convalidados, bem ao nosso lado? Ora, estufamos o peito e declaramos participar de um contexto pós-moderno e, lá no fundo, fugimos do olhar sério e sincero, de reconhecer nossas fragilidade e vulnerabilidades, sem fazer disso nenhum estardalhaço. Para piorar a situação, vomitamos toda e qualquer via de princípios e pontos de orientação; aplaudimos um patético relativismo; de uma ética de que cada um vive como quer; de um dogma hedonista e utilitarista; de conceber os fios da interdependência, como algo abstrato. Não por menos, embora toda a abundância de instrumentos facilitadores de interação, entre as pessoas, a malha do diálogo se desfaz e preferimos a linguagem excessiva, desmedida, confusa e insólita das imagens. Eis o facebook, ao qual não nos deixa enganar! Para que ir aos enredos de um Mario Quintana, ser adoçado com a inocência de uma Cora Coralina, de ser dissecado com as narrativas de Drummond, de compreender que as pessoas são peças fundamentais no exercício da nossa liberdade – participativa. Sem sombra de dúvida, necessitamos não de uma revolução espiritual fundamentalista, ou do soerguer de um sistema democrático evangélico, ou de um esparramar de igrejas, ou de um avivamento pós – moderno, ou de uma adesão a uma ideologia aversiva a Deus ou favor, ou de usar a ciência como justificativa para nossas frustrações pessoais. Em direção oposta, descer do barco das nossas convicções, reduzir a velocidade de fazer e fazer, abrir as portas do ouvir, dizer o amor livre da paranóia de possuir o corpo do outro, de trilhar por uma sexualidade que se desperta no pulsar do olhar, do verbalizar, do materializar e do ponderar, de navegar por uma espiritualidade sensível e aberta a acolher os achatados pelas imposições de messias megalomaníaco, de perceber o quanto brincar com os filhos, levar um bombom para a esposa, de curtir a praia e tantas outras bondades, aqui neste mundo e não o ver como um reduto das falanges demoníacas. Por fim, o Senhor me ajude a praticar e viver o possível de servir o próximo e me auxilie ao impossível de ir aos diferentes e até discordantes. Paz e bem

O projeto anti-cristão da agenda gay.

A inversão de valores propagada pela mídia revela um projeto incisivo de destruição da moral cristã Os noticiários não falam de outra coisa. O liberalismo sexual, no qual se inclui a causa gay, ganhou de vez as manchetes dos principais jornais do país, numa avalanche que parece não ter mais freio. A unanimidade da imprensa em decretar o novo padrão de moralidade é tão eloquente que os mais desavisados sentem-se quase que impelidos a concordar com ele, mesmo que a contragosto. Mas enganam-se aqueles que, ingenuamente, atribuem essas movimentações ao curso natural da história. Trata-se, pelo contrário, de uma agenda compacta, determinada e amplamente financiada, cuja única meta é: minar os fundamentos da sociedade ocidental – o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã – e, em última análise, a natureza humana. Não é mais segredo para ninguém a hostilidade com que inúmeras nações se referem ao cristianismo. Praticamente todos os programas de governos atuais têm por política o combate aos últimos resquícios de fé católica que ainda restam na sociedade. E essa agenda ideológica encontra eco sobretudo nas Organizações das Nações Unidas, logicamente, a mais interessada na chamada “Nova Ordem Mundial”. Essa perseguição sistemática à religião cristã e, mais especificamente à Igreja Católica, se explica pelo fato de ela ser única a levantar a bandeira da lei natural, que é a pedra no sapato dos interesses globalistas. Em linhas gerais, o direito natural refere-se ao que está inscrito no próprio ser da pessoa. Isso supõe uma ponte de acesso a uma moral humana já pré-estabelecida, com direitos e deveres naturais, conforme a ordem da criação. Não corresponde a um direito revelado, mas a uma verdade originária do ser humano, que através da razão indica aquilo que é justo ou não. Essa defesa do direito natural foi o grande diferencial do cristianismo em relação às demais religiões no início do primeiro milênio, como assinala o Papa Emérito Bento XVI ao Parlamento Alemão, em um dos discursos mais importantes de seu pontificado: “Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus”, (Cf. Bento XVI ao Parlamento Federal da Alemanha em 2011). A partir do último meio século, ressalta o Santo Padre, o direito natural passou a ser menosprezado, em grande parte, devido à razão positivista. Passou-se a considerá-lo como “uma doutrina católica bastante singular, sobre a qual não valeria a pena discutir fora do âmbito católico, de tal modo que quase se tem vergonha mesmo só de mencionar o termo”. Com efeito, para o teórico positivista Hans Kelsen, a ética deveria ser posta no âmbito do subjetivismo e, por conseguinte, o conceito de justiça. Criou-se, portanto, uma situação perigosa da qual o próprio Kelsen foi vítima posteriormente, quando perseguido pelo regime nazista por ser judeu. A justiça e a ética caíram no relativismo. Cada um julga-se a si mesmo, julga-se o conhecedor do bem e do mal. E “quando a lei natural e as responsabilidades que implica são negadas, – alerta outra vez Bento XVI em uma catequese sobre Santo Tomás de Aquino – abre-se dramaticamente o caminho para o relativismo ético no plano individual e ao totalitarismo de Estado no plano político”. Como condenar os regimes nazistas, fascistas e comunistas por suas atrocidades se a justiça é um conceito relativo a cada um? A Igreja condena a perversidade do relativismo justamente por essa falsa sensação de liberdade propagandeada por ele. É a mesma liberdade oferecida pela serpente do Éden à Eva, a falsa beleza que, na verdade, é escravidão. Quando exposta em termos claros e diretos, a lei natural se torna evidente e com ela, todo o arcabouço que a sustenta: o direito romano, a filosofia grega e a moral judaico-cristã. A lei natural encontra apelo no ser humano justamente por ser verdade e estar de acordo com a razão criadora, o Creator Spiritus. O Magistério Católico é, neste sentido, um dos únicos baluartes da justiça e da dignidade da pessoa humana, por falar quase que solitário em defesa da lei natural. O trabalho da elite globalista – diga-se ONU, imprensa, ONGs esquerdistas e etc – consiste, neste sentido, única e exclusivamente na destruição desses pilares da lei natural. Assim, sepultam-na numa espiral do silêncio, enquanto reproduzem na mídia uma moral totalmente avessa e contrária à família. Desse modo, abrem espaço para a educação das crianças pelo Estado conforme a cartilha ideológica que defendem. É um programa totalmente voltado para a subversão e o controle comportamental que está sendo colocado em prática, descaradamente, por países como Estados Unidos, França, Suécia, Holanda e até mesmo o Brasil. Neste momento, em que a Igreja vê-se atacada por todos os lados e se joga com a vida humana como se fosse algo qualquer e sem valor, urge o despertar de pessoas santas, imbuídas por uma verdadeira paixão à Verdade. Todas as grandes crises pelas quais a Igreja passou nos últimos séculos foram enfrentadas por santos de grande valor: São Luís Maria Grignion de Montfort, São João Maria Vianney, Santa Catarina de Sena, São Pio X… E essa crise atual requer a mesma fibra, o mesmo destemor e parresia com os quais aqueles santos estavam dispostos a entregar suas vidas, suas fortunas e até mesmo os seus nomes, sem medo da humilhação, firmes na Providência Divina e na certeza de que no alvorecer do novo dia será de Deus a última e definitiva palavra. Por: Equipe Christo Nihil Praeponere

O casamento é um organismo vivo.

Vivemos em uma época em que o matrimônio deixou de ser um pacto entre duas pessoas que, motivadas pelo sentimento de amor e ternura uma pela outra, resolvem construir juntas suas vidas, apoiando-se mutuamente e tornando-se a âncora do desenvolvimento da autoestima da outra.

Hoje o modelo do concerto de casamento é muito mais similar a um contrato comercial, no qual os contratantes procuram extrair para si o máximo de vantagens com o mínimo de compromisso, tendo obrigatoriamente aberta a cláusula do rompimento como uma possibilidade, caso o acordo não funcione a contento para qualquer uma das partes.

Em nossa sociedade do divórcio fácil e dos relacionamentos descartáveis, na qual impera a “Lei de Gerson”, falar em uma instituição na qual se pretenda entrar “para o resto da vida” pode ser uma perspectiva assustadora para nossos jovens, cada dia mais imaturos e despreparados para a vida adulta. (Por isso mesmo a cada dia permanecem mais tempo na casa dos pais.)

Entretanto precisamos ensinar a nossos jovens e muitos de nossos adultos que a relação conjugal não pode ser entendida a partir da perspectiva de um contrato comercial. Antes a visão que devemos ter da relação conjugal é a de um “organismo vivo”, que tem em si toda uma dinâmica própria de nascimento, crescimento, amadurecimento e morte, de forma natural, como todo sistema vivente.

Cada etapa do relacionamento tem suas características próprias, bem como as demandas e os conflitos naturais do processo de passagem de uma etapa à outra. Estes, em vez de desestruturarem a relação, devem ser vistos como degraus de crescimento, que nos impulsionam a vivermos de forma mais plena e saudável.

Chamamos este processo de ciclo vital da família. Nas últimas décadas, este processo foi amplamente estudado por pesquisadores e profissionais que trabalham diretamente com o bem-estar da família. Terapeutas familiares, psicólogos e conselheiros matrimoniais nos ensinam que muitas das crises que paralisam os casais no crescimento de sua intimidade são, em última instância, crises de passagem, e que é necessário passar por elas para que haja um crescimento efetivo. É como despir a roupa que ficou apertada na criança que cresceu e vestir outra, mais adequada ao seu momento de vida.

O crescimento é uma lei da vida, ordenada por Deus no primeiro capítulo do primeiro livro da Bíblia: “Sede fecundos, multiplicai-vos” (Gn 1.28). Se um organismo não cresce, ele definha e morre — com o casamento também é assim. Por isso os casais devem constantemente estar atentos às mudanças decorrentes do processo natural desse crescimento.

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Carlos “Catito” Crzybowski.

Uma excomunhão necessária ( Escrito por um Evangélico ).

“Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;” II Cor 10; 4 e 5

Interessante figura usada aqui por Paulo! Conselhos contra o conhecimento de Deus, são equiparados a fortalezas. O salmista usa a figura das cidades de refúgio que ofereciam proteção a homicidas culposos, para figurar a segurança dos servos, em Deus; “Deus é nosso refúgio e fortaleza” Sal 46; 1

Temos então o choque entre duas fortalezas; uma em Deus, outra, contra Deus. Se a fortaleza do inimigo consiste em conselhos que ofuscam o conhecimento, os chamados sofismas, nossas armas devem ser eficazes para desfazer tais conselhos.

Do sofista, aliás, já os filósofos não tinham um bom conceito; “Um impostor, … malabarista de argumentos, mais verossímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis.” Platão

Sob o argumento veraz que Deus é amor, os movimentos homossexuais, têm feito seus malabarismos sofísticos; seu pleito não é pelo direito à prática, pois, já têm; tampouco pela integridade , liberdade, os bens, etc, que também lhes faculta a lei. O que querem é a sacralização de seu erro. Que sejam aceitas no meio cristão essas formas de comportamento que Bíblia abomina.

Ora, se a Bíblia não conta, por que querem ser cristãos? Agora, se ela conta, precisam mudar seu agir e se adequar, simples assim.

É como se alguém promovesse o baile do azul, e eles quisessem participar, mas, estando todos vestidos de vermelho. Qual sua providência? Ao invés de buscarem as vestes azuis, decidiram sair exigindo que o vermelho fosse doravante nominado de azul, natural que sejam “barrados no baile”. Certo há alguns porteiros daltônicos que já não sabem a diferença, que dancem lá, pois.

A imprensa engajada na causa gay deu grande destaque à excomunhão do “padre” Beto que não vê problema no homossexualismo, nem na promiscuidade consentida, e acha que a igreja deve mudar. Ora, não sou católico, nem concordo com muito que eles creem e fazem, mas, nessa, como discordar?

Se a igreja trata, sobretudo, de bens espirituais, crê e ensina que a felicidade está no porvir, sendo aqui mero campo probatório, lugar de renúncias, cruz; e, essa gente acha que a felicidade é dessa vida, e consiste também em satisfazer as comichões do corpo, inevitável o choque.

Os pensadores antigos, tinham outra ideia sobre a felicidade; “Se felicidade estivesse nos prazeres do corpo, diríamos felizes os bois, quando encontram ervilha para comer.” (Heráclito)

Gostem ou não, cristianismo vero manda o corpo pra cruz, e aposta suas fichas nos bens da alma. Isso vale para gays e heteros, pois também nós temos nossos corpos reféns de desejos impuros, que temos que crucificar.

Não confundamos liberdade com libertinagem, pois; a vera liberdade desprende dos próprios desejos malsãos, e nem é tão livre assim, é condicional; afinal, leva “cativo todo entendimento à obediência de Cristo”, lembram? 

Embora ante seus simpatizantes que o aplaudiram, o padre pareça sábio, libertário, a Sabedoria, substantivo, aos olhos de Deus, carece ainda certo adjetivo, como ensina Tiago: “…a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura…” Tg 3; 17 a oposta, dissera ser, de outra esfera, “terrena” de outro campo de atuação, “animal” de outra fonte de inspiração; “diabólica”. V 15.

Não basta parecer bondoso, tolerante, bem intencionado um postulado qualquer, para ser reputado probo; se não traz o selo de pureza segundo Deus, é anátema.

“Ah! Dentro de toda a alma existe a prova de que a dor como um dardo se renova quando o prazer barbaramente a ataca…”
( Augusto dos Anjos )

Lançado fora.

E o servo inútil, lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes. O texto completo está em Mt 25.14-30 e ilustra os investimentos que Deus faz antecipadamente em pessoas para o trabalho no seu reino. Resumindo, Jesus comparou o reino dos céus a homens que receberam investimentos para trabalhar em sua obra. Os talentos foram recebidos proporcionalmente segundo a capacidade de cada um para o exercício no reino. Os que receberam cinco e dois talentos trabalharam e foram recompensados. O que recebeu um talento enterrou-o e devolveu-o na hora do acerto de contas. Não penso aqui em desenvolver questões doutrinárias ou teológicas, mas tratar da atuação prática de cada pessoa no reino. Com clareza, vemos duas frentes de trabalho no reino com investimentos antecipados feitos pelo dono da obra. Uns trabalharam para o crescimento do reino e apresentaram relatórios elogiáveis e receberam um prêmio pelo que fizeram. Outros enterraram seus talentos. Ficaram meditando na severidade de Deus e pararam no tempo sem nada fazer para o crescimento do reino. Não posso avaliar o trabalho que tiveram estes homens para cavar um buraco para enterrar seus talentos, mas certamente molharam a camisa trabalhando contra o crescimento do reino. A avaliação que Jesus fez deles foi negativa, e eles não alcançaram graça para inclusão com os trabalhadores vitoriosos. A dica que Jesus dá aos leitores do texto é que no reino de Deus não há espaço para acomodados. Ele não aceita desculpas nem interage com os desprovidos de coragem para trabalhar no seu reino e os julga como incompetentes para desfrutarem das maravilhas de sua morada no Paraíso Celeste e aplica a palavra de desconforto quando ordena que sejam lançados nas trevas. Vamos fazer uma pergunta: Como está sendo utilizado o seu talento no reino? Para enterrar a habilidade de trabalhar no reino de Deus, não é necessário ir longe e cavar um buraco para isso. É só utilizar alguns recursos vindos do líder do outro reino. O uso deles gera alguns sintomas tais como abandonar a leitura bíblica; não ter tempo para oração; achar que a igreja está ficando muito chata com as longas missas celebradas; pensar que as mensagens televisionadas e outras virtuais substituem a comunhão no templo; estar insatisfeito para fazer serviço na igreja; enxergar os irmãos como pessoas inferiores a si; deixar de ir à igreja porque o irmão cometeu pecado que provocou escândalo; ignorar o perdão e amar o pecado. Não vou concluir esse texto, mas vou deixar uma proposta de Deus a Salomão em 2Cr. 7.14 que precisa mexer com o nosso coração para não sermos lançados fora: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. Paz e bem