Porque é tão complicado se deixar descansar nas braços de Deus ?

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Descansar na soberania de Deus talvez seja nosso maior desafio.

Quero todos os dias acreditar no fato de que nada foge ao controle de Deus, pois todas as coisas foram por Ele criadas e cooperam para o bem daqueles que O amam.

Seu controle é total sobre todas as coisas, principalmente sobre aquelas que, pelas minhas falhas e até incredulidade, inundam minha alma em um poço de insegurança e temor.

Quero impregnar meu ser com a fé que torna o desemprego, a frustração, a tristeza, o medo, a doença, apenas um estágio que antecede todo bem que Deus preparou pra mim, pois seus pensamentos para mim são pensamentos de paz e não de guerra.

Deposito em suas maõs meus medos que são trocados pela confiança da vitória, que independe dos bens, do emprego, da cura, e dá tão chamada realização pessoal, pois a minha alegria vem em saber que só o fato de poder entrar na presença do Deus criador de todas as coisas, que se fez homem e morreu na cruz só por amar, já me completa não só neste mundo, mas por toda eternidade.

 

Paz e bem

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Na Roça

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A roça é outro mundo
mais extenso, mais profundo,
recheado de carinho.
O menino na estrada
é poesia encantada,
caminha feliz e sozinho.

Lá tem rios e montanhas
e tem belezas tamanhas
que nem consigo contar.
Lá o mundo é espaçoso,
colorido e formoso,
é gostoso passear.

Lá tem a roça de milho,
a mãe levando o filho
de manhã para a escola.
Um bando de passarinhos
vão cantando alegrinhos,
e o homem se consola.

A roça tem o seu jeito,
lá quase tudo é perfeito,
tudo passa devagar.
O homem celebra a terra,
lá não se fala em guerra,
não é preciso brigar.

O trabalho é a meta
do avô, também da neta,
dos filhos e de seus pais.
Lá a terra é lavrada,
lá se usa a enxada,
são unidos os casais.

A roça é diferente,
tudo é simples e contente,
sem luxo, sem desperdício.
Lá o povo se entende,
vive junto, não se ofende,
não tem lugar para o vício.

 

  

 

Porque precisamos do deserto ?

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Não é sem motivo que Deus, logo após libertar o povo da escravidão no Egito, os conduziu para o deserto. A passagem pelo deserto era necessária para ajudá-los a deixar para trás a mentalidade da escravidão e a compreender a nova liberdade que Deus lhes estava oferecendo. Quando damos o nosso sim a Deus, ele sempre nos conduz ao deserto.

O nosso deserto não é igual ao das areias do Neguev ou do Saara. Nosso deserto é o lugar onde somos levados a refletir sobre nossas ilusões, as expectativas infantis que nos mantêm alienados, inclusive de pessoas que amamos; os medos que mascaramos ou sublimamos em nossa busca frenética por realização e entretenimento. No deserto, não temos um caminho claro e seguro, nenhuma distração, nada que nos excite. Nele, o futuro é incerto, nos vemos vulneráveis e fragilizados, e experimentamos a força das trevas interiores do medo.

Por outro lado, o deserto é o lugar do encontro com Deus, da rendição do orgulho e da ilusão de sermos senhores do nosso destino. É o lugar da companhia divina, do silêncio diante de Deus, onde a quietude nos ajuda a reconhecer a presença dele. O silêncio que nos torna mais atenciosos à voz de Deus. Para sermos livres, precisamos nos afastar, por um tempo, do mundo dos homens para entrarmos, a sós, no mundo de Deus. Um tempo no qual as paixões, tensões, pressa, vão, lentamente, cedendo espaço para percebermos a realidade à luz da eternidade e restabelecermos o valor correto das coisas. No deserto, reduzimos nossas necessidades àquilo que é essencial. 

A enfermeira americana Bronnie Ware escreveu um livro sobre os “cinco maiores arrependimentos ou lamentos de pacientes terminais”. Depois de acompanhar por vários anos estes pacientes, ela listou aquilo que eles gostariam de ter feito e não fizeram, como: ter mais tempo para os amigos e não ter trabalhado tanto. O deserto deles trouxe uma outra dimensão de suas reais necessidades.

Na solidão do deserto, descobrimos a suficiência da graça de Deus. Teresa de Ávila (1515–1582) descreveu num poema sua experiência no deserto:

Nada te perturbe,
Nada te espante.
Tudo passa.
Deus não muda.
A paciência tudo alcança.
Quem tem a Deus,
Nada lhe falta.
Só Deus basta.

Nossa necessidade primeira é Deus. De tudo o que aprendemos no deserto, a lição mais importante é que aquilo de que mais necessitamos encontramos na comunhão com Deus. A experiência do deserto nos conduz ao autoesvaziamento, ao desapego dos ídolos que nos oferecem a falsa segurança, e à completa submissão a Deus e aos seus caminhos. Aprendemos a ver a vida desde a perspectiva da eternidade, o que nos ajuda a colocar em ordem nossos valores.

A verdadeira liberdade nasce do deserto. Foi no deserto que Jesus reafirmou a identidade dele e seguiu livre para realizar a missão dele em obediência ao Pai. Não precisou usar nenhum artifício para se autopromover. Foi livre para fazer o que tinha de fazer, assumir a cruz e, no fim, morrer. O deserto nos liberta dos falsos deuses, das mentiras e ilusões que nos fazem pessoas controladoras e manipuladoras. Rompe com a falsa sensação de que temos controle sobre o nosso destino. O deserto nos torna pessoas mais verdadeiras, livres, e mais conscientes de nossa total dependência de Deus.

Paz e bem

Mais que ir a Igreja é preciso ser Igreja

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O que vem a ser templo? Diante um mundo pós-moderno repleto de relativismo onde o que é pode não ser e o que parece não ser pode ser, corremos o risco de pensar estar indo a um lugar e encontrar outro. Como alguém que sempre esteve em contato com um açougue e como que pela força do hábito chega ao rotineiro local para pedir um quilo de carne e só encontra peixe. Mas aqui sempre fora um açougue? Pergunta o cliente. Tem placa de açougue, jeito de açougue, açougueiros, mas, agora, o que encontro para consumo é peixe? De imediato responde o dono do estabelecimento. O nome é açougue, porém a partir de hoje só estaremos vendendo peixe, entende?

O relativismo tem encontrado um solo fértil em nossa sociedade fazendo com que conceitos indiscutivelmente firmados percam a sua robustez adquiridas por anos em detrimento ao relativo que se apodera de uma verdade particular de cada um de nós. O rompimento com o passado em detrimento a um presente livre de preconceitos que na visão de muitos não tem problema algum trocar açougue por peixaria, sem perder o nome de açougue, quebrando o estigma de que açougueiro vestido de açougueiro, dentro de um açougue pode sem problema algum vender peixe sem ser chamado de peixeiro, mantendo o rótulo de açougueiro, mesmo vendendo peixe, sem trocar a placa de açougue por peixaria, pois na sua visão vender peixe em lugar de carne dentro de um açougue faz com que o açougue não necessariamente seja uma peixaria, continua sendo um açougue.

Grande tem sido o apelo ao relativo em inúmeras questões. Ao olhar uma mulher ou um homem, diante o relativo, pode ser que o homem não seja homem, ou a mulher não seja mulher, ou que o pai seja mãe, ou a mãe pai e, com isto, novos padrões de famílias relativas se formem dentro de conceitos que outrora eram considerados improváveis.
Torna-se preciso ter certeza e convicção de quem nós somos. Somos aquilo o que somos ou aquilo o que o relativo diz que somos? Na verdade, se tudo é relativo, até o relativo deixa de ser relativo, criando em si um absoluto por afirmar que tudo é relativo. Diante esta constatação faz-se necessária uma análise a partir de algo que possamos confiar, pois se um mesmo objeto sendo fruto de diferentes verdades, nunca chegará a uma conclusão de senso comum, mas a uma verdade pluralizada.

Ao fazer parte de uma igreja, precisamos saber se estamos trocando os propósitos do ambiente eclesiástico sem remover a placa da fachada escrita igreja. Tem sido muito comum entrar em igrejas e não encontrar aquilo o que estamos procurando. Assim como narramos a pouco, pensando encontrar carne no açougue, encontramos peixe. Estaria a igreja em sua grande maioria relativizando suas funções? Aquela que fora chamada para iluminar e temperar agora estaria preocupada com outros assuntos? O que procuramos quando vamos a igreja? O que encontramos quando vamos a igreja? Igreja não é clube. Igreja não é discoteca. Igreja não é casa de investimentos. Igreja não é objeto de enriquecimento. Igreja não é lugar de comércio. Igreja é casa de Oração!!! Adoração coletiva. Lugar onde Deus fala e nós escutamos. Lugar onde encontramos afeto, carinho, amor, paz, alegria, cura e salvação. Diante a imperativa e concluída restauração do templo que agora não mais pode ser construído por mãos humanas [Marcos 14:58], antes de ir ao templo, e esperar que o templo seja templo, precisamos ser templo. É tempo de viver como templo, para que o ajuntamento dos muitos templos seja verdadeiramente reconhecido como lugar de oração, adoração e proclamação coletiva de que só o Senhor é Deus. Que em tempo de pós modernidade a igreja continue sendo igreja. Que não encontremos peixe no lugar que se espera encontrar carne. Que possamos encontrar nas mais diversas igrejas espalhadas sobre a face da terra, aquilo o que estamos buscando, Jesus Cristo o nosso Senhor e Salvador.

Paz e bem

O que sou ?

‘’Ser discípulo traz a decisão por atos e atitudes práticas, diante das alternâncias da vida; em direção oposta, ser multidão, ou, melhor dito, diluído nela, não passa de fazer parte de experiências momentâneas. ’’ O encontro das palavras ditas por Jesus, com relação aos discípulos, estabelece uma autêntica revolução interna e externa, manifestada por meio de atos e atitudes. Sem nenhuma margem de dúvida, segue – me! Nada mais, nada menos, nada diferente, nada contrário! Simplesmente, eis um comando imperativo, categórico, específico, objetivo e claro. Aliás, segue – me, sem uma cartilha de condutas morais e éticas, de um ideal de humanidade, de antídotos para desmoronar com as hemorragias da sociedade, com as criminosas desigualdades entre as pessoas, com a escassez de esperança e dignidade pela vida. Nessa trajetória, tudo parece suspenso. A aplicabilidade da torá com uma nova interpretação e enfoque ou a remodelação do denominado velho testamento. Para muitos, um subversivo das tradições cristalizadas e soerguidas, durante séculos de sangue e morticínios; um fanfarrão e aproveitador do vácuo vivenciado pelos desafortunados de pão e água, de sentido e destino, de sonhos e sorrisos, de criatividade e liberdade; um megalomaníaco messiânico, dentre tantos outros, disposto a levar multidões para malogros e suicídios coletivos. Mesmo assim, quem ousar vasculhar no seu baú, não encontrará princípios e preceitos mandamentais de faça isso, aquilo e acolá. Agora, o seu comando assusta, lança as propostas de um risco, abre as portas para descobertas e torna sem efeito toda e qualquer previsibilidade. Em outras palavras, siga – me, venha após, ao meu lado, atrás e haja, através de decisões e não se atrela a princípios do certo e do errado. Ora, valho – me da palavra catequismo, em função de manusear também a nossa visão de incutir todo um ciclo de regras e regramentos, ao quais culminará num sobrenaturalismo que coloca Deus acima de nós ou num naturalismo que o concebe como parte de uma energia positiva. Tristemente, ainda creditamos na vertente do catequismo eclesiástico, por onde uns repetem e outros são compelidos a engolir. Tudo, lá no fundo, muito embora nos vitrais, nos ornamentos, nas nomenclaturas, nas hierarquias eclesiásticas pareça agradável, na tresloucada realidade diária, parece um antídoto inócuo, sem efeito e eficácia. Quantos não foram acoçados para ir a direção do Cristo Ressuscitado e ao por os pés no mar, somente, se depararam com uma infinidade de ideias e ideais. Por tal modo, afundaram e acabaram tragados pelas decepções de expectativas irreais. De notar, o discipulado nos chama para ir, decidir e sem titubear participar de uma convivência intensa e reveladora, com o Cristo Ressuscitado. Lamentavelmente, derramamos nossas considerações parcas, quando não nunca ocorridas, sobre a certeza da Graça do Cristo Ressuscitado. Valem dizer, os catequismos são prodigiosos na constituição de apologistas, de articuladores das mais intricadas teorias e teses teológicas, de feitos e efeitos inexplicáveis, de pintar quadros convidativos de um Messias adequado as massas de consumidores de ilusões; entretanto, não descem as escadarias para ouvir e falar, segundo a revelação – viva, sobre a batuta do Cristo Ressuscitado; não aceita ser parte desse seguir, desse ir atrás, desse ir após e partilhar e participar do compartilhar. Não bastassem todos os malefícios do catequismo, há ainda o ímpeto e as histerias coletivas das multidões, pelo qual cada um se amolda a uma aparente imagem de fé, mas tudo não passa de um ajuntamento de esperanças e verdades arruinadas. Tanto no catequismo quanto na multidão, ninguém se compromete e muito menos assume o compromisso pelo próximo, pela vida e por si mesmo, num elo contínuo do amor a si mesmo, ao próximo e ao Criador. Destarte, deveríamos perguntar: – Sigo o discipulado? – Sou adepto do catequismo ou da multidão? Negar seria uma temeridade, o discipulado nos invade e faz com que a salvação venha para fora, justificados e remidos, aceitos e incluídos nos itinerários do Cristo Ressuscitado, por onde toda e qualquer existência falida pode ser livre. É bem verdade, o discipulado desintegra os altares dos predestinados, dos escolhidos, dos melhores e dos piores, dos bons e dos maus, dos justos e dos prevaricadores. Indiscutivelmente, o discipulado tem os olhos para a convivência prática e simples da vida, do café na padaria, da tarde de sábado, do boliche, dos parabéns para você, do abraço, do alento, do bom dia, das lembranças concretas e por ai vai. Vamos além, o discipulado vai ao outro e propõe ser próximo, amigo, companheiro e irmão. Por fim, somos discípulos, ministros catequizadores de ideologias teocráticas, enfileirados na multidão de conformados? Paz e bem

Aleluia ! A noiva está sendo preparada.

Se agrupados, os motivos de preocupação e angústia com a Igreja nos dias atuais produziriam uma lista mais extensa que as 95 teses expostas por Lutero em 1517. O constrangedor mercantilismo da fé; a frenética busca por pomposos títulos ministeriais; a manipulação da política eclesiástica para satisfações pessoais; o desinteresse pela missão e a intencional distorção dos textos bíblicos são apenas alguns — entre muitos — motivos de agonia ao olhar para a Igreja de hoje. É momento de quebrar o coração e buscar o Senhor para um sério compromisso de vida, renovo de alma e fidelidade no trato com as Escrituras. Grandes motivos de celebração! Há, porém, grandes motivos para celebração! Espantosamente, a Igreja tem crescido nos lugares mais improváveis — como Índia, Etiópia, Filipinas, China e Nigéria1 — e em todo canto há uma busca cada vez mais intensa pela Palavra de Deus. Milhares de anônimos levam diariamente a mensagem de Cristo para as ruas, escritórios, universidades, cidades e campos em todo o mundo. A Bíblia está traduzida, parcial ou totalmente, em mais de 2.500 línguas.2 O evangelho no Brasil tem sido anunciado, de forma crescente, entre os que pouco ouviram — como indígenas, ribeirinhos, quilombolas, ciganos, sertanejos, imigrantes e surdos –, além de invadir as grandes e médias cidades. Em todo o mundo, mais de 120 milhões de cristãos vivem e perseveram em regiões hostis à sua fé.3 O impressionante milagre da conversão se dá em incontáveis vidas todos os dias. Em 1900 havia 100 milhões de protestantes no mundo e a projeção para 2050 é de quase 700 milhões. Louvado seja o Cordeiro, que tem preparado a sua noiva para o grande dia! Em 2012, empreendi uma viagem de pesquisa missionária ao longo do rio Solimões a partir de Manaus, no Amazonas. Durante seis dias, subimos o rio até a fronteira com a Colômbia em uma época de grande alagamento. Nos primeiros três dias, não encontramos sequer uma comunidade, fosse de palafita ou construída em terra firme, que não estivesse embaixo d’água. As populações se refugiaram nas cidades maiores e algumas poucas famílias tentavam subsistir em suas próprias casas em meio ao alagado. Parando em diversas comunidades, encontramos lamento e choro, além de grande frustração. Haviam perdido suas casas, roças e animais — e também a esperança. No fim do segundo dia de viagem, avistamos uma casa sobre palafitas também coberta pela água até o meio das janelas. Três faces apareceram e, para a minha surpresa, estavam sorridentes. Parando a voadeira, equilibrei-me em algumas pranchas para entrar naquela casa. Em um canto da sala haviam construído um esteio de madeira que era elevado à medida que o rio subia. A família, formada por cinco pessoas, se apinhava naquele pequeno quadrado, onde também atavam suas redes e mantinham as panelas, além de um pequeno fogão e um saco de farinha. Expressei minha admiração por encontrá-los sorridentes, ao que rapidamente mencionaram ter encontrado Jesus no ano anterior — e haviam concluído o momento devocional da família justamente quando chegávamos. O marido mencionou que estudavam naquela manhã sobre a bondade de Deus e estavam se lembrando dos muitos motivos de louvor, como a vida, a família e a salvação. A esposa completou: “E também o rio, que o Senhor segurou no limite”, não permitindo perderem a vida. Saí daquela casa agradecendo a Deus pelo testemunho, pois nenhuma tragédia será maior do que a sua bondade em nossas vidas. E pela Igreja, que apesar das inundações e lutas, segue caminhando. Nossa natureza é Cristo Vemos no Novo Testamento que a Igreja foi um resultado direto da vida e dos ensinos de Jesus Cristo, portanto tem o seu DNA. Em Atos, lemos que a Igreja era koinônica (orientada pela comunhão dos santos), kerygmática (proclamadora do nome de Jesus), martírica (vivia segundo a sua fé), proséitica (cultivava a oração), escriturística (amava e seguia a Palavra de Deus), diácona (servia com amor aos necessitados), poimênica (pastoreava o povo) e litúrgica (cuja vida era a adoração ao Pai).4 Essa é a nossa identidade, quem somos em Cristo Jesus. E a nossa natureza. Apesar das provações, perseguições, escândalos e esfriamento, sempre seremos atraídos de volta às raízes, que a Palavra tão bem apresenta:5 A Igreja é um grupo de redimidos, originada por Deus e pertencente a Deus, portanto formada por uma multidão de servos e um só Senhor (1Co 1.1-2). A Igreja não é uma sociedade alienante. Os que foram redimidos por Cristo continuam sendo homens e mulheres, pais e filhos, fazendeiros e comerciantes chamados para viver o evangelho no mundo e não longe dele (Mt 10). A Igreja é uma comunidade sem fronteiras. Portanto, fatalmente missionária. É chamada a proclamar Jesus perto e longe — e fazer discípulos (Rm 15.18-19). A Igreja é chamada para viver Cristo e não apenas compreendê-lo. Quando orientada pelas Escrituras e comprometida com Jesus, ela se torna um grande testemunho para o mundo (Gl 2.20). A Igreja é Igreja quando segue a Palavra. Perseverar na doutrina dos apóstolos implica compreensão e vida — compreender a Palavra de Deus com fidelidade e aplicá-la em nossa vida diária (At 2.42). A Igreja tem como propósito maior glorificar a Deus. Este é o nosso chamado e para tanto é preciso nos desglorificarmos. Devemos lembrar-nos de que nossa primeira missão é morrer (1Co 6.20; Rm 16.25-27). Somos chamados para a perseverança A Palavra de Deus exorta-nos a perseverar. Aos Efésios, Paulo afirma que devemos ser fortalecidos no Senhor (6.10) para não cair nas ciladas do diabo (v. 11), resistir no dia mau (v. 13) e proclamar o evangelho (v. 19). O termo “resistir” é tradução de uma palavra grega frequentemente usada para uma estaca bem fincada que, após os ventos e chuvas, permanece firme. Alguns anos atrás, rascunhei um exercício espiritual para sermos uma Igreja fortalecida, o qual partilho a seguir: — Preocupar-nos um pouco menos com as loucuras feitas em nome de Cristo e um pouco mais com o nosso próprio coração para que não venhamos a ser desqualificados. — Seguirmos os desejos do Senhor sabendo que, para isso, quase sempre estaremos na contramão do mundo. — Para cada palavra de crítica à Igreja — autocrítica, se assim quiser — termos uma palavra ou duas de encorajamento. — Ouvirmos com zelo e temor os profetas que nos denunciam o erro, bem como os pastores que nos encorajam a caminhar. — Buscarmos na Palavra de Deus o fortalecimento da fé e o alimento da alma. — Não perdermos de vista Jesus Cristo, Cordeiro vivo de Deus, para que a tristeza advinda das frustrações não nos impeça de experimentar a alegria do Senhor. Somos chamados a seguir caminhando. Lutero lembra-nos de que “esta vida, portanto, não é justiça, mas crescimento em justiça. Não é saúde, mas cura. Não é ser, mas se tornar. Não é descansar, mas exercitar. Ainda não somos o que seremos, mas estamos crescendo nesta direção. O processo ainda não está terminado, mas vai prosseguindo. Não é o final, mas é a estrada. Todas as coisas ainda não brilham em glória, mas todas as coisas vão sendo purificadas”.6 Que o Altíssimo nos encoraje a perseverar até o fim, pois o que nos aguarda é puro esplendor! “Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou” (Ap 19.7). Aleluia! Ronaldo Lidorio

Amar a quem não me ama.

Eu estaria mentindo se dissesse que depois que me tornei cristã nunca mais tive problemas, desamores, desilusões, que nunca mais experimentei traições. Estaria mentindo se dissesse que as instituições cristãs melhores ou mais nobres do que as não cristãs. Estaria mentindo se dissesse que de dentro do seu círculo de amigos e irmãos mais próximos você não precisa esperar facadas nas costas, abraços falsos, ou simplesmente distâncias doloridas e inexplicáveis. Nestes anos todos de campo missionário pude conviver com o que há de melhor e mais nobre na natureza humana. Vi e vivi o auto-sacrifício, o despojamento, o amor de entregar a vida uns pelos outros. Mas vi também o que há de ruim, de sórdido e de mais mesquinho. Vi egoísmo, batalhas de poder, amarguras marcadas a fogo em corações, armas de guerra religiosa lustradas constantemente por teologias falsas, desamor puro e simples. Na minha própria jornada, apesar das decepções pessoais vivi o engano de achar que tudo estava perdoado. Quando pregava ou ouvia sobre o perdão, pensava: “Ah sou catedrática nisto! Perdoei a todos o que me feriram…” Tive até a oportunidade de fazer o “bem” a irmãos que não me foram tão honestos. Me sentia orgulhosa: “Esta área não é problema pra mim”. Foi quando alguém me perguntou: – Você ora pelos que te feriram? E se ora, ora como? Não oro, tive que admitir. Tenho coisas mais importantes pra fazer, me enganei. Mas a misericórdia do Senhor não me deixou. – O que é mais importante Braulia do que amar quem não te ama? Se leio a Bíblia direito tenho que admitir que não existe nada mais básico, mais fundamental na fé cristã. Se queremos habitar n’Ele, compartilhar da natureza de amor de Deus a primeira coisa que temos que fazer é aprender a amar. Não sabemos amar, assim como não sabemos muita coisa na nossa vida de fé. A fé é um aprendizado racional do se “ser como Deus.” – Como aprender a viver sua natureza meu Senhor? – “Aprenda a amar. Foi assim que comecei como um sedentário fazendo exercício físico pela primeira vez: – Quero orar pelo Fulano, Senhor. Abençoe-o. Mas se abençoar significa encher de graça de amor, de provisão financeira, se significa desejar para ele a mesma felicidade que desejo para mim e para os que amo, ah então não sei não… A palavra: abençoe – se enrosca, se torna pesada. O que meu coração deseja é “justiça” mas não na definição divina, vertical que nos chega através da misericórdia. Quero a “justiça” entre aspas, melhor traduzida como vingança. Quero árvores secas, alforges vazios, quero para eles a solidão que me assolapa, quero o mesmo fracasso que me faz chorar amargo. Meu estado interior se revela a mim como o de Isaías se revelou a ele diante do trono de Deus. Como minha fé é pequena, limitada, egoísta, empapelada de desculpas bíblicas para odiar, para me vingar, para excluir, para isolar. Choro agora, não por eles, mas por mim. Como este Deus vai me perdoar? E se Ele resolver cumprir sua palavra e perdoar-me apenas na proporção com que eu perdôo? Recomeço, insistente. Para orar pelo que não me ama, tenho que primeiro desenterrá-lo. Me lembro de um conto de Patricia Highsmith que li quando criança: Estranhas mortes na Repartição. O homenzinho trabalhava num escritório do governo, era excêntrico e cobrava das pessoas uma perfeição que tornava impossível a interação social. Terminou por matar uma a uma com requintes de crueldade as pessoas que o cercavam. Mas a autora nos revela que os assassinatos não são reais. O homenzinho se cerca de mortos porque não pode conviver com os vivos. Orar por meus “mortos” me obrigou a desenterra-los, um a um, com as mãos, sentindo-lhes o cheiro, tocando-lhes a carne. Qdo os desenterro, os coloco de pé, a meu lado e ando com eles até onde Deus está. Ressurretos meus mortos me vigiam. Não é fácil sentir-lhes vivos ali comigo, ouvir-lhes o coração, as rever suas dores, tornar-me uma com eles na oração desejando-lhes o mesmo bem que o Senhor lhes deseja. Ah Senhor, não sei orar. Tento de novo e as palavras vem, esparsas, gastas, clichés religiosos viciados. E o Senhor me diz: “Não, não é assim que você ora minha filha. Onde está sua paixão, sua intensidade, onde está seu coração íntegro? Oração pela metade não dá. Oração en passant também não funciona. Quando eu levantar a minha mão para encher o outro de bênçãos de amor, quero o seu regozijo sincero. Quero que você se veja como participante daquele momento. Eu vou abençoá-los porque você orou por eles.” Enfim a oração flui. Honesta. Não são mais os mortos, não são eles, é uma parte mim que ressurge. Volta a vida o meu amor enterrado, a minha esperança, o meu centro. Enfim as lágrimas não são mais amargas e duras. Me alinhei com ele. Posso orar pelo “inimigo”. Posso visualizá-lo recebendo carinhos do Pai de amor, inundado de bondade. Aconteceu o milagre da fé. Voltei a me encontrar em seu amor. Voltei a participar de sua natureza de amor. Até o próximo tropeço no meu egoísmo. Texto Publicado pela revista Olhar Cristão/Agosto 2013