Quando e onde fui ” NATAL ” ???

O povo de Deus é povo missionário.

“A manjedoura, a cruz e o túmulo são caminhos, por onde a decisão pelo próximo se torna numa condição fundamental para nossa humanidade.”

O natal se tornou em mais uma data comemorativa, uma praxe cultural típica do denonimado mundo ocidental e difundido, em outros povos e nações. Ainda assim, percebe – se lampejos do nascimento do menino Jesus e a mantença de todo um repertório de ritualismos. A árvore, o papai Noel, as renas, o panetone e uma sensação de interromper marcam o mês de dezembro.

Sem sombra dúvida, o nascimento de Jesus, evidentemente, de maneira alguma ocorreu, em 25 de dezembro. Por ora, ater – me – ei ao chamado da narrativa bíblica e, desde já, isento de bitolagens do legalismo e extremismo religioso e suas amordaças. Grosso modo, o espertar da vinda do salvador apresentou, de imediato, um irromper, com todas as conveniências e formalismos da tradição da qual Jose e Maria estavam. Afinal de contas, como justificar uma gestação sobre o argumento da ausência do encontro do óvulo e esperma?

Não por menos, as suspeitas alderedor dessa situação, indiscutivelmente, trouxe uma carga significativa. Mesmo assim, a salvação iniciou – se na vulnerabilidade de um presépio, de uma manjedoura, com personalidades frágeis, diante de todas as intercorrências de ordem política e social.

Agora, o natal me chama para uma retrospectiva de quais foram as minhas decisões, durante o desdobrar dos doze capítulos dessa história vida. Para muitos, tudo se resumirá ao amigo secreto, a encontrar a família, a se desligar das turbulências do cotidiano e para outros não passa de um momento de vazio e de perda de sentido, a ouvir um feliz natal e um ano novo (cheio de paz, de alegria e prosperidade). Ora, evito um discurso de dissabores, mas o natal, o nascimento de Cristo, nos chama para uma releitura da realidade, do próximo, de nós mesmos e da vida.

Sinceramente, encontro – me numa saudável e irrevogável crise do por qual motivo não trilho por essa proposta de ir ao próximo, em todos os períodos do ano?
Deveras, o cotidiano peculiar de um cenário metropolitano e suas demandas nos suga e não posso fechar os olhos para isso; entretanto, como cristão, sou levado a me questionar:

– Por qual motivo não reconheci as pessoas, ao meu lado?

– Estranho – me, porque nem sequer consegui arriscar e ir as pessoas, em dias normais, para presenteá-las, numa prática e num ato de ir à contramão das regras do jogo das conveniências?

Eis o chamado para um evangelho de práticas e atos efetivos, um serviço pragmático e concreto, a qual começa no seio da comunhão, na decisão por remover de nossas costas os alforjes do meu direito, da minha benção, da minha conquista, da minha resposta e, enfim, de uma fé submergida a preencher uma vontade interesseira e individualista.

Sinceramente, envergonho – me, em função de conceber o nascimento de Cristo a um acontecimento histórico e atrelado a ser relembrado, numa determinada época, quando, opostamente, deveria aceitar o convite, entrar no barco da esperança, do amor, da justiça, da misericórdia e das utopias da Graça para não querer, mas sim decidir por ouvir mais e falar menos, priorizar mais pelos acertos e menos apontar as causas e efeitos das quedas do próximo, por ser sal e luz nas pauliceias desvairadas, por sair dos vitrais de uma espiritualidade abstrata e descompromissada.

Nesse momento, lanço mais uma pergunta:

– Mais um natal?

Mais um natal que abrirei a bíblia, em Isaías e Mateus, externarei um feliz natal e pronto?

Peço desculpas, por essas palavras, entretanto se faz necessário ir a direção do natal, desse chamado por reconhecer as pessoas e resistir pela vida, principalmente, quando nos deparamos com um contexto de pessoas deslocadas, de faces que não se olham, de ecos que não se ouvem, de gestos que não se reconciliam, de ombros que não suportam, de palavras que não absolvem e deixam marcas de condenação e culpa nas linhas e entrelinhas do semelhante.  Paz e bem

Quando oramos com o coração, temos a certeza que nossa oração se concretiza.

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Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. Mq 7.7

O capítulo sete de Miqueias expõe uma situação angustiante do profeta, que, em nome de Deus, faz várias advertências ao povo que não se arrepende dos erros.

O profeta chega a exagerar a sua nota de repugnância contra a nação quando diz: “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os homens um que seja reto; todos espreitam para derramarem sangue; cada um caça a seu irmão com rede. As suas mãos estão sobre o mal e o fazem diligentemente; o príncipe exige condenação, o juiz aceita suborno, a grande fala dos maus desejos de sua alma, e, assim, todos eles juntamente urdem a trama. O melhor deles é como um espinheiro; o mais reto é pior do que uma sebe de espinhos”. Mq 7.2-4 […].

O certo é que o profeta pregou contra esses comportamentos inadequados, mas nada mudou; então ele olha para si e desabafa; “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá. ”

Desabafo ou oração? Se olharmos para o ministério do profeta, realizado em nome de Deus sem ver resultado positivo (resultado esse esperado por todo pregador da palavra), podemos imaginar que ele fez um desabafo mais ou menos assim: “Eu fiz o que pude, o povo vai ser punido porque quer, porque não quis ouvir a Palavra de Deus. Fiz minha parte”.

Quando vejo o texto como uma oração após a cansativa jornada sem sucesso visível aos olhos humanos, encontro profundo discernimento do profeta entre sua missão e sua segurança em Deus. Ele entende que de sua parte a missão está cumprida e o resultado pertence a Deus, daí sua oração: “Eu, porém, olharei para o Senhor e esperarei no Deus da minha salvação; o meu Deus me ouvirá.”

Que lições podemos extrair dessa oração?

Os resultados que almejamos e não acontecem não podem tirar a nossa intimidade com Deus.

Miqueias tem pronto relacionamento com Ele e fixa seu olhar de esperança no Soberano Pai.

Outro ponto elogiável em Miqueias é sua pronta declaração de esperança na misericórdia salvadora de Deus. Ele crê que o Deus gracioso consegue diferenciar o certo do errado, então ele pode esperar no Deus da sua salvação. Outra virtude de Miqueias está em saber que Deus o ouve. Ele não corre de imediato atrás do psicólogo. Ele apresenta sua frustração ao Deus que ouve e tem todo tempo para ouvir os angustiados sem culpas. Digo sem culpa porque o lamento dele era porque o povo não se arrependeu, e não porque ele não pregou a Palavra. Ele fez a parte dele.

O nosso tempo é de correria. Algumas pessoas carregam grande carga de idoneidade e outras não estão preocupadas com essa qualidade. A proclamação profética é desprezada por boa parte da sociedade, e a abominação é aprazível a um grande número de pessoas.

Quem tem a mesma preocupação de Miqueias deve também ter a mesma postura nas angústias por falta de resultados favoráveis e visíveis. Deve orar sabendo que Deus está pronto para ouvir o desabafo de um homem ou mulher de Deus em oração.

 

Paz e bem

Porque é tão complicado se deixar descansar nas braços de Deus ?

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Descansar na soberania de Deus talvez seja nosso maior desafio.

Quero todos os dias acreditar no fato de que nada foge ao controle de Deus, pois todas as coisas foram por Ele criadas e cooperam para o bem daqueles que O amam.

Seu controle é total sobre todas as coisas, principalmente sobre aquelas que, pelas minhas falhas e até incredulidade, inundam minha alma em um poço de insegurança e temor.

Quero impregnar meu ser com a fé que torna o desemprego, a frustração, a tristeza, o medo, a doença, apenas um estágio que antecede todo bem que Deus preparou pra mim, pois seus pensamentos para mim são pensamentos de paz e não de guerra.

Deposito em suas maõs meus medos que são trocados pela confiança da vitória, que independe dos bens, do emprego, da cura, e dá tão chamada realização pessoal, pois a minha alegria vem em saber que só o fato de poder entrar na presença do Deus criador de todas as coisas, que se fez homem e morreu na cruz só por amar, já me completa não só neste mundo, mas por toda eternidade.

 

Paz e bem

Na Roça

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A roça é outro mundo
mais extenso, mais profundo,
recheado de carinho.
O menino na estrada
é poesia encantada,
caminha feliz e sozinho.

Lá tem rios e montanhas
e tem belezas tamanhas
que nem consigo contar.
Lá o mundo é espaçoso,
colorido e formoso,
é gostoso passear.

Lá tem a roça de milho,
a mãe levando o filho
de manhã para a escola.
Um bando de passarinhos
vão cantando alegrinhos,
e o homem se consola.

A roça tem o seu jeito,
lá quase tudo é perfeito,
tudo passa devagar.
O homem celebra a terra,
lá não se fala em guerra,
não é preciso brigar.

O trabalho é a meta
do avô, também da neta,
dos filhos e de seus pais.
Lá a terra é lavrada,
lá se usa a enxada,
são unidos os casais.

A roça é diferente,
tudo é simples e contente,
sem luxo, sem desperdício.
Lá o povo se entende,
vive junto, não se ofende,
não tem lugar para o vício.